Síndicos enfrentam problema com a falta d'água na alta temporada

Balneário Camboriú e região vivem explosão do aumento populacional na temporada de verão e convivem com falta de água por causa da alta demanda
Foto: Wikipédia Foto: Wikipédia

 

Um dos destinos turísticos mais procurados do Brasil na temporada de verão, Balneário Camboriú tem vivenciado problemas relacionados à falta de água, especialmente durante a temporada, quando o aumento da população, tanto de turistas quanto de residentes temporários, sobrecarrega os sistemas de abastecimento.

A escassez de água nos condomínios urbanos tem se tornado uma preocupação constante também para os síndicos da região, que precisam adotar medidas preventivas e educativas para evitar que o problema se agrave.

Balneário Camboriú, cidade com pouco mais de 140 mil habitantes, vê sua população explodir durante a temporada de verão, que atrai turistas do Brasil e do mundo. O número de moradores temporários, somado ao aumento da demanda de água, exerce uma pressão significativa sobre o sistema de abastecimento da cidade. Durante os meses de dezembro, janeiro e fevereiro, a população pode ultrapassar 1 milhão de pessoas, um aumento de mais de sete vezes em relação à média anual.

Cleiton Adriano Pereira da Luz, síndico experiente e que possui uma administradora que atua nas regiões de Balneário Camboriú e Itapema, reforça que é importante o gestor estar atento e contar com uma comunicação direta junto aos condôminos, principalmente os que só chegam aos prédios para um curto período da temporada.

“Durante o período de festas de final de ano e temporada de verão, é comum o aumento expressivo no consumo de água, o que ocasiona o desabastecimento em até mais de um dia. Para minimizar os impactos e garantir o uso racional, a nossa administradora, juntamente com os síndicos, adota medidas preventivas como envios de comunicados sobre a situação da água na região, dicas para economizar, alerta para períodos de pico de consumo e manutenção preventiva dos reservatórios”, explica.

Cleiton Adriano Falta Dagua
Cleiton Adriano Pereira da Cruz adota uma comunicação direta com os condôminos

Os síndicos da região têm um papel crucial na gestão de recursos hídricos, principalmente na tentativa de conscientização dos moradores para implementar medidas que minimizem o desperdício e garantam a continuidade do abastecimento. O monitoramento do consumo é uma das alternativas para atender a demanda, inclusive os medidores individuais das unidades também ajudam os moradores a saber o fluxo de água que é consumido. Outro fator importante, reforçado por Cleiton Adriano, é o planejamento para casos de racionamento ou de falta d'água. Segundo ele, os condomínios devem contar com reservatórios de emergência, como cisternas e caixas d'água extras, para garantir que os moradores tenham acesso à água potável em situações críticas. O planejamento de capacidade de armazenamento é essencial, especialmente nos períodos de alta demanda.

“O síndico também precisa ter um plano B nesses casos, como uma agenda atualizada com o cadastro com fornecedores de água da região para, em casos de emergência, buscar a compra de água por meio dos caminhões pipa para garantir o abastecimento do condomínio”, conta Cleiton.

Fabrice Delmond Falta Dgua
Fabrice Delmond explica que em momentos críticos foram chamados 18 caminhões pipa

Caminhões pipa como suporte aos condomínios

Por sinal, a demanda de contratações de caminhões pipa segue em alta na região de Balneário Camboriú. O síndico profissional Fabrice Delmond, há 15 anos no mercado e administrando cerca de 18 condomínios, relata a necessidade de ter que contar com fornecedores para não causar o desabastecimento total.

“Tivemos problema com a falta de água nesta temporada e precisamos comprar cerca de 18 caminhões pipa para quatro condomínios. As empresas fornecedoras estavam bem sobrecarregadas, pela alta demanda também de outros síndicos e condomínios, e chegamos a ter que esperar de seis a oito horas para poder realizar o abastecimento”, explicou.

Além dos períodos sem água, quando retornava havia o problema da rede de abastecimento não possuir pressão para abastecer os reservatórios e garantir alguma reserva para o dia seguinte:

“O ponto crítico aconteceu na virada do ano em alguns pontos da cidade. A Emasa não conseguiu, por quatro a cinco dias, entregar pressão suficiente para suprir a necessidade. Eu comunicava muito aos condôminos sobre a diligência do uso consciente, até que foram poucas reclamações apesar de tudo. A falta total de água era em média de duas a três horas por dia”, detalha Delmond.

Tania Faltadagua
Tânia Regina da Silva é síndica e aposta na manutenção preventiva para evitar problemas

 síndica Tânia Regina da Silva, com anos de experiência no setor condominial em Florianópolis e em Balneário Camboriú, fez um trabalho de acompanhamento da situação da água para mitigar os problemas. Como gestora, conta com o suporte dos funcionários do condomínio para realizar a inspeção dos reservatórios:

“Fizemos o monitoramento frequente dos níveis de água para identificar padrões de consumo e antecipar a possível falta. Sempre faço a solicitação ao zelador para que confira as cisternas inferiores, inclusive com registro de vídeo, para controlarmos o nível d’água”, explica.

Além disso, Tânia também faz a manutenção preventiva dos equipamentos que são necessários para manter o fluxo de água normal, além de comunicar de forma clara aos moradores sobre o desperdício. Na temporada de verão, especialmente no período de festas de fim de ano, o consumo é maior do que o normal.

“Nós realizamos a limpeza e a revisão periódica das bombas, registros e boias do condomínio para evitar falhas no abastecimento, assim como também fazemos campanhas de conscientização de consumo consciente para os moradores. Fora tudo isso, ainda tenho uma empresa parceira que fornece água em caminhão pipa que costumo deixar de sobreaviso caso seja necessário para abastecer o prédio”.

Justificativa para a falta d’água

Como exposto acima, o aumento populacional na temporada é um dos fatores para que a região de Balneário Camboriú fique sem água em alguns períodos. Diretor-geral da Emasa (Empresa Municipal de Águas e Saneamento), o engenheiro Auri Pavoni, em entrevista recente, deu mais explicações sobre a situação no verão.

“Infelizmente, a realidade é essa: nós não conseguimos captar e tratar água suficiente para o consumo que temos hoje. Isso é falta de investimento. Tem água suficiente no rio, não é crise hídrica, nós temos água suficiente, o rio está num nível bom. Não é falta de água, é falta de capacidade de tratamento”, detalhou Pavoni, que prevê novas obras para o setor de saneamento.

Balneário Camboriú passou a trabalhar neste mês de janeiro com uma estação compacta de tratamento de água, que segundo o diretor irá tratar 1 milhão e 300 mil litros de água por dia, quantidade que vai abastecer em torno de 6 mil moradores de Camboriú. Ele conta que essa decisão é temporária, porque após a temporada o sistema dá conta da capacidade.

Para entender como é o consumo, em dias normais Balneário Camboriú e Camboriú consomem entre 600 a 700 litros por segundo, nas duas cidades juntas. Na temporada aumenta para 800 a 850 litros por segundo. No período das festas, como ocorreu, chegou a mais de 1,2 mil litros por segundo, próximo do limite máximo de capacidade de distribuição.

 

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