Exerço a sindicatura há 14 anos e, desde o início, venho me esforçando para exercê-la em alta performance.
Não sou muito diferente dos colegas que costumo reunir e que costumam me seguir e acompanhar em eventos, palestras e nas leituras mensais das linhas desta coluna. Nossa busca por capacitação tende a nos levar a querer agir cada vez melhor.
Mas ser síndico é, acima de tudo, exercer uma função humana: lidar com conflitos, administrar recursos, equilibrar expectativas e, muitas vezes, atuar como mediador entre diferentes personalidades e interesses. Então, há uma distinção essencial que todo colega de sindicatura deveria considerar: a diferença entre agir e reagir.
A ação é pensada, planejada, estruturada. É como aquele colega síndico que estuda o regimento interno, consulta especialistas, organiza assembleias e propõe soluções. Esse síndico que “age” veste um papel social: o gestor, o mediador, o líder.
É um ator que desempenha funções conformes e necessárias ao condomínio. Não há nada de errado nisso; pelo contrário, a ação planejada é indispensável para manter a ordem e o bom funcionamento da vida condominial, devendo ser considerada essencial em nossa capacitação.
Mas é na reação que o verdadeiro síndico se revela. Porque a reação não é ensaiada. Ela emerge diante do imprevisto: a reclamação exaltada de um morador, a pressão em uma assembleia, a crítica injusta, a emergência que exige sangue frio.
É nessa hora que a essência do síndico transparece. Se reage com agressividade, revela uma postura defensiva e pouco aberta ao diálogo. Se reage com serenidade, mostra autocontrole e maturidade.
O autoconhecimento, portanto, é o caminho para transformar as reações em aliadas. O síndico que se observa, que percebe os próprios gatilhos emocionais, que entende por que se irrita em determinadas situações, aprende a não ser refém da reação instintiva. Ele começa a reagir menos por impulso e mais por consciência.
E, quando a reação se alia à ação, nasce a verdadeira liderança.
A sabedoria está em unir os dois planos: agir com estratégia e reagir com equilíbrio. Porque administrar um condomínio não é apenas aplicar regras, mas também conviver com pessoas. Não é apenas organizar planilhas, mas também organizar relações. E, nesse campo, as reações contam tanto quanto, ou até mais, que as ações.
Por isso, meu conselho é simples, mas profundo: colega síndico, observe-se. Pergunte-se não apenas “o que eu faço diante de um problema?”, mas também “como eu reajo diante dele?”. É nesse espelho que você encontrará a chave do crescimento pessoal.
Comece a enxergar a sindicatura como uma escola de autoconhecimento, e cada situação conflituosa como uma oportunidade de aprender a reagir melhor.
No fim, o condomínio não precisa apenas de um síndico que age bem, precisa de um síndico que reage com sabedoria.
Rogério de Freitas é síndico profissional, graduado em Administração de Empresas e pós-graduado em Marketing e Gestão Empresarial, Coach Integral Sistêmico.





