No mês passado, minha esposa foi presenteada com o livro As Cinco Linguagens do Amor, de Gary Chapman. Ao conhecer a obra, percebi algo em que nunca havia refletido: a habilidade de comunicação do síndico em relação à sua própria performance. Existe, muitas vezes, um verdadeiro “gap” entre a forma como o síndico comunica aquilo que realiza e a maneira como o condômino recebe e interpreta essa informação.
Chapman parte da ideia de que cada pessoa possui uma “linguagem do amor” principal, um modo específico de perceber e receber amor. Muitos conflitos conjugais surgem justamente porque os parceiros se expressam em linguagens diferentes. Da mesma forma, concluí que cada condômino também possui uma linguagem própria para reconhecer a performance do síndico. Assim, não é raro que insatisfações coletivas sejam fruto de falhas de percepção, causadas pela falta de sintonia entre a linguagem utilizada pelo síndico e a linguagem em que os condôminos esperam ser alcançados.
Com base nisso, mapeei algumas linguagens de comunicação da performance, inspiradas em práticas de sucesso do universo corporativo, que acredito merecerem pesquisa e aprofundamento. Quem sabe, futuramente, até uma formação estruturada para síndicos.
Recordo-me de um conceito que conheci ainda na vida acadêmica, e que sempre me marcou: a diferença entre Excelência e Qualidade. Excelência, diziam meus mestres, é quando você entrega o melhor possível, mesmo sem condições ideais para fazer melhor. Qualidade, por sua vez, é quando aquele que recebe a sua entrega percebe o esforço, reconhece o valor e atribui a ela um julgamento positivo.
Pois bem: para que os condôminos percebam que exercemos nossa função com excelência, e que reconheçam nossa sindicatura como dotada de qualidade, precisamos atentar-nos às diferentes linguagens pelas quais a performance pode ser comunicada.
A primeira é a linguagem dos resultados, marcada pelo foco em entregas concretas, números e metas cumpridas. Ela é mais valorizada por quem pensa em métricas, eficiência e pragmatismo. Um exemplo seria afirmar: “Concluí o projeto antes do prazo e reduzi custos em 15%”.
A segunda é a linguagem do estilo, que vai além do que foi realizado e valoriza a forma de apresentar. Aqui, clareza, carisma e presença de palco fazem diferença, especialmente em assembleias de prestação de contas. Mesmo que o conteúdo técnico seja simples, a narrativa envolvente dá peso à performance.
A terceira é a linguagem do esforço, que exalta o empenho, a dedicação e até o sacrifício pessoal para cumprir uma tarefa. É reconhecida em culturas que valorizam disciplina e lealdade. O exemplo típico é: “Fiquei noites sem dormir para garantir que tudo saísse perfeito”.
A quarta é a linguagem da inovação, que coloca em evidência a capacidade de propor soluções criativas, rompendo padrões estabelecidos. Muito presente em contextos tecnológicos e dinâmicos, essa linguagem pode ser exemplificada por: “Encontrei uma solução que nunca havia sido tentada”.
Por fim, temos a linguagem da vitória coletiva, que destaca a colaboração e a conquista compartilhada. O reconhecimento, aqui, nasce quando a atuação do síndico gera ganhos para todos. Um exemplo seria: “Organizei a demanda de forma que todos tivessem voz, e juntos alcançamos melhorias para todo o condomínio”.
Caros colegas de sindicatura, minha intenção é que, com a atenção a essas cinco linguagens: resultados, estilo, esforço, inovação e vitória coletiva, cada um de vocês possa comunicar melhor a própria performance. Afinal, não basta fazer: é preciso ser compreendido.
Rogério de Freitas é síndico profissional, graduado em Administração de Empresas e pós-graduado em Marketing e Gestão Empresarial, Coach Integral Sistêmico.





