Entenda como práticas de ESG são aplicadas nos condomínios

Entenda como práticas de ESG são aplicadas nos condomínios

Compromisso com responsabilidade social, ações sustentáveis e corretamente gerenciadas ganham espaço no setor condominial

O termo ESG (da sigla em inglês Environmental, Social and Governance – em português, Ambiental, Social e Governança) ganhou força no ambiente corporativo nos últimos anos. O conceito, que pode nos dar a impressão de ser novo, surgiu em 2004 com a publicação do Banco Mundial em parceria com o Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU) e instituições financeiras de nove países: a chamada “Who Cares Wins” (em português: ganha quem se importa).

O conjunto de regras avalia se as operações das empresas são socialmente responsáveis, sustentáveis e corretamente gerenciadas. As empresas precisam buscar o menor impacto no ambiente, ter preocupação com os seus colaboradores e prestadores de serviços, além de uma administração livre de corrupção. Essas práticas podem ser aplicadas até mesmo nos condomínios, mesmo que ainda não exista uma certificação ESG para o setor condominial.

Mestre em Administração de Empresa e professor de programas em MBA de várias Instituições de Ensino Superior em Belo Horizonte, Abélio Dias explica o movimento que tem se tornado cada vez mais presente no dia a dia das organizações, principalmente no Brasil.

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Abélio Dias, administrador e professor de programas em MBA

"ESG é essencial para quem investe, pois garante a sustentabilidade do investimento. Mas é importante uma reflexão que expresse as prioridades que dou ao mundo. Assim como as empresas, os condomínios no Brasil não foram construídos de forma sustentável. A sustentabilidade não é ainda uma preocupação para a sociedade brasileira, apesar de se estar começando a percebê-la, principalmente devido às mudanças climáticas dos últimos anos", explicou.

Abélio, que também atua como síndico profissional, ainda detalha a importância de aplicar cada vez mais o conceito de ESG nos condomínios.

"Os condomínios são grandes consumidores de recursos naturais, pois fazem uso de uma série de serviços que consomem basicamente água e energia, além de outros recursos, e geram uma grande quantidade de resíduos orgânicos e inorgânicos. As práticas ESG devem surgir da liderança, que no caso do condomínio é o síndico. Ele tem de fomentar uma cultura de sustentabilidade no local. Não adianta simplesmente falar como sendo algo bom para o planeta, mas quais são os retornos que pode trazer para o condomínio em termos de redução dos custos operacionais e de valorização do patrimônio", completou Abélio.

Pensar o condomínio como uma empresa

Para a administradora e especialista na área de condomínios desde 1996, Rosely Schwartz, que também é professora e ministra cursos e palestras pelo Brasil, é preciso considerar o condomínio como uma empresa e isso implica em administrá-lo com os conceitos de ESG.

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Rosely Schwartz, administradora e especialista na área de condomínios

"Como o condomínio cada vez mais deve ser administrado como uma empresa, mesmo que sem a finalidade de lucro, o conceito vem sendo incorporado à gestão condominial ainda sem a conotação direta ao ESG.

As práticas de desenvolvimento sustentável são um caminho sem volta em todos os níveis da sociedade, tornando-se estratégicas para a administração. Isso demonstra que a gestão é atualizada com as novas tendências do mercado global, mas é fundamental que os condôminos acompanhem as ações adotadas", afirmou.

Para o engenheiro com Masterclass em ESG, Luciano Moreno, a aplicação do conceito nos condomínios precisa ser de maneira coletiva para se chegar ao resultado esperado.

"O ESG não pode e não deve ser entendido separadamente. O conceito deve ser abrangente e fundamentado em engajamento. No caso em questão a aplicação do ESG na vida de pessoas que dividem o mesmo espaço em comum e vivem em um ambiente onde os padrões de comportamento são diferentes um do outro é ainda mais complicado. ESG aborda temas que vão desde hábitos e comportamentos sociais, passando por governança, liderança e o aspecto ambiental", destacou.

ESG nos novos empreendimentos

O movimento ESG também está presente em novos empreendimentos. A responsabilidade ambiental tornou-se parte do processo como um todo e está presente desde a incorporação, passando pela execução de obras e, principalmente, na entrega de espaços adequados aos moradores. “Nos empreendimentos construídos no Brasil e que envolvem investidores internacionais há uma maior preocupação com a sustentabilidade. Eles são construídos com alguma certificação ambiental existente no mercado, pois esta contribui significativamente para redução dos custos operacionais. Ainda é um longo caminho a ser percorrido, porém já existem grupos pensando na certificação ESG para empreendimentos construtivos", explica Abélio.

Luciano Moreno acredita que levar ESG para os condomínios, principalmente naqueles que estão em construção, é um bom caminho para ampliar o debate e gerar comoção de uma parcela da sociedade para algo que pode causar impactos no futuro.

“Felizmente as fontes de energias renováveis entraram na agenda de montadoras, indústrias, empresas de serviço, grandes construtoras e boa parte da sociedade em geral. Mas o movimento ainda é tímido e muito aquém da velocidade que precisamos impor. O assunto precisa estar na pauta, precisa ser amplamente divulgado e debatido”, falou Luciano.

Práticas de ESG que podem ser aplicadas nos condomínios

No plano ambiental

Uso racional da água: equipamentos como torneiras e válvulas de descargas eficientes, controle do consumo de água por ambientes (áreas externas e internas, paisagismo e limpeza), criação de sistemas que possibilitem o reuso de água de chuva e de água cinza (coletada das torneiras das pias e máquinas de lavar), medidores individuais de água (por unidade).

Desempenho de energia: acompanhamento da performance dos sistemas e gerenciamento do consumo, como elevadores e bombas de recalque, grandes vilões das despesas com energia; o uso de lâmpadas de LED com sensores de presença, aproveitamento da luz natural para iluminar ambientes e utilização de cores claras para propiciar mais claridade.

Verificar a possibilidade da geração de energias renováveis, como a solar fotovoltaica para aquecimento da água consumida pelas unidades e da piscina, além da devolução do excedente produzido para a rede com o desconto na conta do condomínio.

Descarte correto de lixo: implantação da coleta seletiva, com separação adequada dos materiais orgânicos e recicláveis; coleta de óleo de cozinha, pilhas e baterias, de simples implementação a baixo custo.

No plano social

• Dar boas condições de trabalho aos colaboradores, com o uso dos EPIs adequados a cada atividade; incentivar o aprendizado e troca de experiências, oferecendo cursos de capacitação; respeitar relações de trabalho

• Cuidados com a privacidade e proteção de dados e relação com a comunidade (entorno do condomínio)

• Zelar para que exista no condomínio um ambiente de harmonia e respeito entre todos os envolvidos, colaboradores, moradores e prestadores de serviços

• A relação com os prestadores de serviço deve ser baseada em ética e respeito mútuo, que visem à segurança dos trabalhadores, com o cumprimento de todas as normas envolvidas.

No plano de governança

As palavras de ordem na gestão devem ser ética e transparência na contratação e prestação de contas.

• Conselho consultivo participativo e independente;

• Respeito e transparência na relação com as empresas terceirizadas, que deve ser baseada em contratos, uso de EPIs para garantir a segurança e observação da legislação

• Valorização patrimonial, com as devidas manutenções preventivas e corretivas, sempre no rigor de normas e leis

• A auditoria externa poderá ser usada como importante instrumento para avaliar a atuação dos gestores na condução da administração do condomínio, dando maior tranquilidade aos condôminos.
Fonte: Rosely Schwartz

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