No aniversário de Florianópolis condôminos refletem a implementação de medidas sustentáveis nos condomínios

Coleta seletiva, manutenção de calçadas, harmonia das fachadas são algumas das ações ressaltadas
  • 27/Março/2015 - Kalyne Carvalho
No aniversário de Florianópolis condôminos refletem a implementação de medidas sustentáveis nos condomínios

 

Considerada a capital brasileira com a melhor qualidade de vida e os melhores índices de desenvolvimento social, Florianópolis faz aniversário no dia 23 de março e completa 344 anos. Juntamente com as entidades públicas, o cidadão é responsável por preservar a qualidade de vida na cidade. Síndicos assumem sua responsabilidade como cidadãos na implementação de medidas sustentáveis junto aos condôminos – coleta seletiva, manutenção de calçadas, harmonia das fachadas – e ainda como fiscais denunciam irregularidades, desmatamentos, preservação de praças e parques dos bairros nos quais estão inseridos, auxiliando entidades públicas na execução de soluções e melhorias.

O novo texto do Plano Diretor, instrumento responsável por nortear o desenvolvimento urbano da cidade, ainda em fase de aprovação, prevê, segundo informa Dalmo Vieira Filho, secretário de Meio ambiente e Desenvolvimento Urbano de Florianópolis, a inversão do sistema que vigorou até 2014, aplicando mais rigor para construções em regiões de praias e estímulo de comércio nos centros dos bairros. “Estamos incentivando a autossuficiência dos bairros, para que cada região tenha o seu centro e, dessa forma, consigamos reduzir a necessidade de deslocamento de pessoas ao Centro de Florianópolis, auxiliando a mobilidade e aprofundando as relações de vizinhança”, informou. Nesse formato, de acordo com o secretário, os centros de bairros receberiam edificações mais altas, com o estímulo de áreas de comércio no térreo. “Estamos projetando calçadas mais largas, ciclovias. A cidade precisa do engajamento das pessoas. Os condôminos são agentes-chaves. Pedimos aos responsáveis pelos empreendimentos que ajudem a valorizar as calçadas. Uma árvore plantada na frente do edifício faz toda a diferença”, destaca o Secretário Dalmo.

Cidadania

Nos condomínios, para além de se preocuparem somente com a manutenção do edifício, síndicos conscientes de sua responsabilidade como cidadãos zelam pela cidade, tomam medidas que integram os condôminos em ações cooperativas e sustentáveis. É o caso da síndica Maria Áurea, que mantém, junto aos condôminos, a calçada em frente ao Condomínio Edifício Claudia, no Centro, de acordo com as regras da Prefeitura, atendendo aspectos de acessibilidade. “Além de deixar o ambiente agradável, destaco a atenção aos portadores de necessidades especiais. Mantemos isso em dia. Cuidamos também da árvore plantada pela Prefeitura na nossa calçada”, conta a síndica.

O arquiteto Felipe da Silva destaca as regras da Prefeitura de Florianópolis para a manutenção de calçadas a serem observadas pelos condomínios: “Buracos, desnivelamento e irregularidades no piso podem provocar acidentes aos pedestres. O caimento deve ser direcionado para a rua, para o correto escoamento da água da chuva. Deve haver rampa de acesso para cadeirantes e corredor para cegos”. É ressaltada ainda a importância da reforma e manutenção estética do prédio. Uma rua com edifícios bonitos cria paisagem agradável, aspecto que favorece a qualidade de vida. “Pintar o prédio não só mantém a edificação segura, protegida de infiltrações, mas também interfere no paisagismo da rua e do bairro”, ressalta o arquiteto.

Participação na comunidade

Márcia Quartiero, jornalista e síndica do Condomínio Napoli, desempenha trabalho de guardiã do bairro Abraão. Observa e denuncia questões que vão desde um buraco na calçada até construções irregulares. “O condomínio não é isolado do contexto da cidade. Ele faz parte do bairro, influencia e recebe influência do que acontece a sua volta”, sustenta. Uma conquista recente no bairro Coqueiros foi a praça, localizada na Ponta José Francisco, resultado de uma mobilização iniciada em 2003 da comunidade liderada pela Associação de Moradores de Coqueiros. A área era fechada com portão, usada para reciclagem de lixo e conhecida pelos moradores da região como “lixão”. Hoje é aberta com espaço para caminhadas e brinquedos para crianças.

Reivindicação antiga dos moradores também de Coqueiros foi recentemente atendida pela Secretaria Municipal do Continente. A travessa no final da Rua João Roberto Stanford será transformada em uma praça urbanizada. Questão que já incidiu em até ação judicial contra um dos vizinhos que tentou se apropriar indevidamente da área pública. “Depois que a polícia, designada pela Justiça, retirou os tapumes do invasor, a travessa ficou ainda durante muito tempo abandonada. Virou ponto de drogas e depósito de lixo. Pleiteamos durante 10 anos até conseguir a humanização da área”, relata a síndica Mari Nascimento, do Condomínio Residencial Maria Carolina.

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Síndicas Mari Nascimento e Marcia Quartiero

Preservação

Outro tema que recebe atenção dos moradores, entidades públicas e privadas é o “lixo”. Essa palavra que, para a Novo Ciclo – empresa especializada em consultoria de gestão de resíduos, é descartada do dicionário, já que praticamente tudo é reaproveitável. “Florianópolis é modelo e serve de exemplo para outras cidades do Brasil. Temos a coleta seletiva há anos e a população se conscientiza mais a cada dia. A responsabilidade com a geração de resíduos é compartilhada entre cidadão, poder público e privado”, destacou Jean Tavares, engenheiro sanitarista e ambiental da Novo Ciclo.

O condomínio Celina de Vincenzi, localizado no Centro, participa do Programa Lixo Zero para gestão dos resíduos recicláveis da Novo Ciclo. Nos últimos três meses, o edifício encaminhou cerca de 1 tonelada de resíduos, que seriam descartados ao aterro, para o correto reaproveitamento. No último ano, o condomínio Celina de Vincenzi economizou mais de 28 mil KWh de energia - valor que abasteceria 113 residências por um mês com energia elétrica e mais de 500 mil litros de água - que abasteceria 2.788 pessoas por um dia com água. “Os nossos ambientes de descarte são limpos. A maioria dos moradores é engajada na separação dos resíduos. Não dá trabalho para o condomínio. Cada um faz a sua parte, ajuda a natureza e, consequentemente, a nós mesmos”, diz a síndica Jussara Alves Nunes, enfatizando o seu sentimento de gratificação. “É necessário refletir como será o futuro das crianças caso tudo o que consumimos vire lixo. Para onde vai tudo isso?”, indagou a síndica.

Iniciativa sustentável

Outro exemplo de cidadania e comportamento sustentável é o adotado pelo síndico Durcelino da Silva, do Condomínio Priscila, no bairro Estreito. Ele implementou no residencial o reaproveitamento do óleo de cozinha, com a fabricação de sabão. “A receita é da minha mãe, que sempre fazia o sabão em casa”, conta Durcelino. No condomínio o material para a fabricação do produto é comprado junto com o material de limpeza. “Repassamos o sabão para todos os moradores. Eles estão pegando óleo até com os parentes para a confecção do produto”, disse o síndico. Esse trabalho funciona no condomínio há mais de quatro anos, e contribui também na redução de limpeza da caixa de gordura. “Antes, em menos de seis meses a caixa já transbordava”, informa. A receita de sabão do síndico foi publicada na Fanpage do Jornal dos Condomínios e recebeu repercussão positiva dos curtidores. Além do sabão fabricado com o óleo usado, o condomínio também reaproveita a água da máquina de lavar, acarretando na redução de 30% do valor da água paga pelo edifício.

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No Condomínio Priscila o sabão produzido é distribuído entre os moradores.

Responsabilidade

A segurança também é outro tema que merece atenção da comunidade. Quem concorda com essa afirmativa é o síndico Luiz Frantz, do Condomínio Villagio di Capri, em Coqueiros, e diretor Social do Conselho de Segurança (Conseg) do bairro. O síndico libera o salão de festas do condomínio para a reunião da entidade e debates a respeito da segurança da região. “Incentivamos a prevenção para além da reação. O Conselho é um elo entre a comunidade e a Secretaria de Segurança”, salienta o síndico. Embora insatisfeito com a baixa participação dos condôminos na ação conjunta, Luiz Frantz destaca as últimas conquistas do Conseg. “Nos últimos anos, conseguimos a instalação de 17 câmeras, por parte da Secretaria de Segurança Pública, nas principais ruas e esquinas do bairro”, relata.

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O síndico Luiz Frantz, é diretor Social do Conselho de Segurança (Conseg) do seu bairro.

 

Por Kalyne Carvalho

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Controlar obras em unidades - 12.9%
Utilização de máscara por moradores - 26.4%
Informar condômino infectado - 7.9%
Aplicar as normas de silêncio - 15%
Controlar o uso de áreas comuns - 14.3%
Realização de assembleias - 20.7%
Locação de temporada - 2.9%
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