Reduzir o impacto do lixo no meio ambiente começa em casa

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Síndicos têm papel de liderança junto aos moradores e podem ser aliados na preservação ambiental por meio de boas práticas, como coleta seletiva e compostagem

“O planeta está morrendo”. Você já deve ter ouvido essa frase – às vezes até mais de uma vez. Afinal, a enorme quantidade de lixo produzida diariamente em escala global é um grande risco para toda a população da Terra. Projeções apontam que, em 2050, se mantivermos o ritmo dos últimos anos, o volume de resíduos atingirá 3,5 bilhões de toneladas, o que significa aumento de 70% em comparação aos dias atuais. Mas o que fazer para amenizar os efeitos dessa poluição que implica mudanças climáticas?

O tema está cada vez mais no centro das discussões, que visam implementar ações positivas. O mais recente debate foi na 27ª Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (COP 27), que em novembro reuniu representantes de governos e entidades de diversos países para o planejamento e a aplicação de medidas urgentes na tentativa de minimizar os efeitos das mudanças climáticas, como o aumento do nível do mar, inundações de regiões costeiras, secas e perda da biodiversidade.

Um ponto fundamental para frear as possíveis consequências da crise climática é a gestão dos resíduos, pois o lixo é fonte de emissão de dióxido de carbono no meio ambiente e contribui para o efeito estufa. Diretor-presidente da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública (ABRELP), Carlos Silva Filho aponta que uma das causas é a manutenção de práticas inadequadas no setor.

“Mesmo proibidos no Brasil desde 1991, ainda há 2,5 mil lixões em operação. Esses ambientes a céu aberto recebem todo tipo de lixo e não há qualquer forma de tratamento para reduzir o impacto causado no meio ambiente. Já os aterros controlados recebem intervenções do poder público, como uma cobertura de solo, a fim de tentar amenizar as consequências. O aumento das emissões de gases de efeito estufa é fruto da gestão medieval de resíduos sólidos que ainda perdura”, afirma Silva Filho.

De quem é a responsabilidade pelo descarte correto?

A Lei 12.305/2010, que trata sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), aponta a responsabilidade de todos os envolvidos na produção dos resíduos para garantir a destinação adequada dos materiais. Segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2022, elaborado pela ABRELPE, 39% do lixo produzido nas cidades brasileiras são descartados de maneira incorreta.

A projeção é que o Brasil encerre o ano com 81,8 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos gerados nas residências. Ou seja, 31,9 milhões de toneladas de lixo terão o destino inadequado. Por isso, o caminho para reduzir os impactos no meio ambiente é avançar de maneira consistente para acabar com a destinação inadequada dos resíduos sólidos. Sancionado em abril deste ano, o PNRS (Planares) tem como metas elevar para 48% até 2040 o percentual de reciclagem no Brasil (hoje é 4%) e acabar com todos os lixões e aterros controlados até o fim de 2024.

“Chama atenção que mais da metade das cidades brasileiras ainda dispõem os resíduos coletados em locais inadequados, mas os índices verificados nas regiões Sudeste e Sul, ambas com mais de 70% dos resíduos sendo encaminhados para destinação adequada, demonstram que é possível avançar de maneira consistente para o encerramento das práticas de destinação inadequadas”, completa Carlos Silva Filho, que também é presidente da International Solid Waste Association (ISWA, ou Associação Internacional de Resíduos Sólidos).

Coleta seletiva: o bom exemplo que vem de Florianópolis

A coleta seletiva nos municípios brasileiros cresceu de 74,4%, em 2021, para 75,1% neste ano, de acordo com o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2022, da ABRELPE. Nesse quesito, Florianópolis destaca-se com o recolhimento de porta em porta em seis frações de resíduos: orgânicos compostáveis, verdes (podas), recicláveis mistos, vidro, volumosos por agendamento e rejeitos. Em novembro, a capital catarinense recolheu 970 toneladas, 20 a mais que outubro e 170 maior do que o mesmo período de 2021.

“O usuário aderiu à seletiva, confirmando que a maior frequência da seletiva de duas vezes por semana nos bairros e até seis vezes no Centro estimula a participação. Cada tonelada de rejeito que deixa de ser encaminhada para o aterro e segue para a reciclagem ou compostagem permite reduzir duas toneladas na emissão de gases poluentes”, destaca o secretário municipal do Meio Ambiente, Fábio Braga.

Em relação aos orgânicos, Florianópolis está pelo menos dois anos adiantada em relação às metas nacionais do PNRS. Com a coleta seletiva de mais de 7 mil toneladas de restos de alimentos e resíduos verdes por ano, a capital catarinense já desvia do aterro sanitário 13,54% do potencial de compostáveis, atendendo requisito da política nacional previsto para 2024.

A importância de práticas sustentáveis nos condomínios

No Brasil, o levantamento da Associação Brasileira de Síndicos e Síndicos Profissionais (ABRASSP) aponta que de 68 milhões de pessoas moram em condomínios, e 420 mil síndicos são os responsáveis pela administração desses espaços. Não à toa, essa parcela da população tem um importante papel na gestão de resíduos produzidos dentro de seus apartamentos. Ou seja, os moradores precisam comprometer-se com a separação correta do lixo, enquanto cabe os síndicos elaborar estratégias, como compostagem orgânica e coleta seletiva de materiais recicláveis.

Síndica há três anos do condomínio 14 Bis em Florianópolis, Luísa Cândido Lopes aposta na educação do condômino para minimizar o impacto do lixo doméstico produzido nas unidades. “No meu condomínio foquei em educação e feedback de validação. Pode estar longe de resolver o problema, mas entendo que às vezes as pessoas erram por não ter conhecimento. Eu já recebi vídeo de moradores mostrando como separam o lixo em casa e postei no grupo do condomínio. Se um morador faz uma pergunta sobre como fazer o descarte, eu agradeço e digo que é muito importante o questionamento. Enfim, dá trabalho, mas focar na educação e validar comportamentos construtivos faz as pessoas se sentirem mais motivadas a separar o lixo corretamente”, informa.

O residencial Porto das Marés I e II, localizado no Morro das Pedras, no Sul da Ilha de Santa Catarina, colabora com a coleta pública de resíduos e faz o reaproveitamento dos resíduos orgânicos gerados por cada uma das 32 unidades do condomínio horizontal. Com a ajuda da empresa Composta Aí, os moradores iniciaram um projeto de compostagem.

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Rosimery Gerhardt, síndica do residencial Porto das Marés: o condomínio horizontal faz o reaproveitamento de todos os resíduos orgânicos gerados nas 32 unidades

“A primeira ação foi apresentar a proposta de coleta de orgânicos em assembleia, e a aceitação foi imediata. Em seguida, passamos as questões práticas do projeto: aquisição dos baldes plásticos (com vedação) para a coleta dos orgânicos e orientação a todos de como funcionaria o processo, até mesmo com uma reunião online para instrução de como armazenar os orgânicos, tendo o projeto iniciado efetivamente em meados de agosto de 2021”, explica a síndica profissional Rosimery Gerhardt.

Em noves meses de projeto, o condomínio já conseguiu grandes resultados. No período foram coletadas 2,6 toneladas de restos de alimentos. Em maio, foi realizada a primeira colheita de composto desde a implantação. Cada unidade do residencial recebeu 2 kg de composto orgânico (terra preta) e mais 300 ml de adubo líquido superconcentrado. O material pode ser usado no desenvolvimento das raízes, grama, folhas, flores e frutos.

“Percebemos na prática que uma simples atitude de separar os resíduos, que parece algo tão banal, mas de grande valia, pode promover grandes resultados e transformações. Cascas de frutas ou restos de hortaliças se tornam adubo para fortalecer os jardins, hortas e gramados das casas. Com a participação dos moradores e o envolvimento no projeto, cada um fazendo um pouco, o resultado no final é gratificante para o condomínio. Além disso, o meio ambiente agradece”, completa.

Consciência coletiva

Outro exemplo positivo de práticas de sustentabilidade é o Mirante Quatro Estações, localizado no bairro Serraria, em São José. O condomínio tem 1.300 moradores e 240 apartamentos e possui um programa de coleta seletiva dispondo com salas adequadas no térreo de cada uma das seis torres. Administrador do local, Dalmo Mayer Tibincoski, considera que a conscientização dos moradores para a reciclagem é um papel de liderança que deve ser desempenhado pelo síndico.

“O apoio do síndico é muito importante para que o programa de coleta seletiva seja implantado e se perpetue, no entanto, não depende somente do síndico. Como tudo em condomínio, precisa haver a vontade e o interesse da maioria dos moradores. No Mirante Quatro Estações, considero que o grande impulsionador do programa de coleta seletiva foi a formação de uma equipe de moradores voluntários, que continua buscando melhorias em todo o processo. Uma equipe assim é fundamental”, destaca.

Mirante 4 Estaes Coleta Seletiva Moradora
Helena de Souza é moradora do Mirante Quatro Estações e faz parte do grupo de voluntárias que organizou o projeto de coleta seletiva no condomínio

No Mirante Quatro Estações, os moradores separam os recicláveis como: papelão, papéis, plástico, latinhas de alumínio, metais diversos, vidro, pilhas e baterias, eletrônicos, tampas, óleo de frituras, entre outros. Os materiais são levados para uma empresa de reciclagem. Há, também, um recipiente para seringas e materiais biológicos. Esses resíduos vão para ao posto de saúde do bairro, que fará o descarte adequado. Por fim, as matérias orgânicas são depositadas num container, retiradas diariamente e levadas à área de compostagem do condomínio.

De acordo com Tibincoski, a Prefeitura de São José faz um bom trabalho ao coletar três vezes por semana os resíduos não recicláveis no Mirante Quatro Estações. Entre os materiais estão, por exemplo, papéis usados para higiene pessoal, papéis plastificados, fita adesiva, embalagens metalizadas (biscoitos e salgadinhos), esponja de aço, frascos de aerossóis, espelhos, louças, cerâmicas, entre outros. O síndico, aliás, acredita que os gestores públicos repassam informações suficientes dos programas incentivando a reciclagem.

“Existe um volume de informações suficientes para qualquer pessoa que deseja iniciar um programa de coleta seletiva, por menor que seja. Atualmente, há uma consciência coletiva de que cada um de nós é responsável pelos resíduos que produz. Portanto, basta que alguém tome a iniciativa para ter a adesão imediata de muitas outras pessoas”, completa.

Coleta

Coleta de orgânicos

Em Florianópolis, a seletiva flex de orgânicos atende de porta em porta com caminhão-satélite condomínios do Itacorubi, Córrego Grande, Trindade, Carvoeira, João Paulo e área residencial do Centro, que precisam providenciar contentor modelo europeu na cor marrom para participar da coleta.

Nos bairros onde não há ainda seletiva flex de orgânicos, os usuários podem compostar restos de alimentos em casa, com o sistema de minhocário, mesmo em apartamentos, implementar um sistema de compostagem no condomínio ou pode separar os resíduos e levar até os Ecopontos da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA) ou para pátios de compostagem comunitários.

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