Quase 200 prédios de Balneário Camboríu possuem o sistema que segue a Instrução Normativa nº 9 do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina
Ao pensar na construção de qualquer empreendimento, seja comercial ou residencial, a segurança contra incêndios é um dos pontos mais importantes. E, junto com o cuidado na parte elétrica e estrutural e na escolha de bons materiais, a pressurização nas escadas é um fator que aumenta a proteção dos edifícios e a confiança na hora de comprar ou alugar o imóvel.
No fim de 2022, por exemplo, um incêndio registrado em um edifício na Avenida Atlântica, em Balneário Camboriú, deixou 16 pessoas hospitalizadas. As rotas de fuga ficaram obstruídas pela grande quantidade de fumaça, que se concentrou nas escadas dos dois blocos.
Para evitar problemas como esse e garantir mais segurança nas situações de emergência, a Instrução Normativa nº 9 do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina obriga a instalação de um equipamento de pressurização em escadas de prédios com altura superior a 75 metros.

O sistema usa a ventilação mecânica para injetar ar limpo na escadaria e evitar, assim, a entrada de fumaça no local. A ação garante a saída das pessoas com mais tranquilidade e também dá maior eficiência para o trabalho no combate ao fogo. Em Balneário Camboriú, 191 edifícios já adotaram a normativa, de acordo com dados do Corpo de Bombeiros.
Com a segunda menor extensão territorial do Estado – apenas 45 km² –, Balneário Camboriú necessita que as construções sejam mais verticalizadas, tanto para moradia como para o comércio. Isso resulta no alto número de arranha-céus na cidade do Litoral Norte e também aumenta a preocupação com a segurança contra incêndios.
“Atualmente, com a tendência dos prédios ficarem cada vez mais altos, as construtoras tiveram que melhorar o sistema de salvamento das pessoas nas unidades. Então, a escada capta ar do andar térreo através de um motor e oferece mais segurança e tempo para a retirada de quem está no local afetado pelo fogo”, explica Alexandre Bernardo, especialista em escadas pressurizadas da empresa Le Soluções em Equipamentos
Conforme o Corpo de Bombeiros de Balneário Camboriú, o sistema é extremamente eficiente para garantir uma rota de fuga e total evacuação. A escolha do modelo deve atender às exigências da normativa de segurança contra incêndio.
“A escada pressurizada é uma ‘Escada à Prova de Fumaça’ (EPF). Para ocupação A-2 Residencial Privativa Multifamiliar, que diz respeito aos prédios residenciais, os mais comuns na nossa região, a EPF é exigida para edificações com altura superior a 75 metros. Existem outros tipos de escada, classificados como ‘Escada Enclausurada com Ventilação para o Exterior’ e ‘Escada Aberta Externa’. A equipe técnica vai optar por um desses três tipos”, afirma o 1º Tenente Wagner Medella de Santana, chefe do serviço de segurança contra incêndio do Corpo de Bombeiros.
Como funciona na prática?
O processo de pressurização deve ser realizado junto com a construção do prédio. Não há qualquer impedimento legal ou normativo do Corpo de Bombeiros para a instalação em prédios já construídos, mas o custo é bem superior, explica Alexandre Bernardo.

“O profissional deve começar a trabalhar o projeto desde o início, para fazer a análise, a adequação às normas, além de acompanhar tudo até a finalização da obra”, orienta o especialista.
Para a instalação correta do sistema, são necessários os seguintes equipamentos: gerador, dumpers, filtros, grelhas, venezianas, registros, motores, aduadores, centrais e censores de fumaça.
O sistema de pressurização nas escadas é acionado automaticamente ao detectar a presença de fumaça. Caso isso não aconteça, há a opção manual. A partir daí, o ar externo é captado e distribuído na escada para evitar a presença de fumaça e permitir o fluxo de pessoas em segurança.
O perigo de inalar gases tóxicos e fumaça
Segundo o Corpo de Bombeiros, a fumaça é um dos produtos da combustão e contém gases asfixiantes e irritantes. E todos eles causam prejuízos à saúde. Os asfixiantes são responsáveis pela desorientação, intoxicação e a perda de consciência. Já os narcóticos são três: monóxido de carbono (CO), cianeto de nitrogênio (HCN) e dióxido de carbono (CO2). Eles podem causar lesões na respiração e inflamação nos olhos, vias aéreas superiores e também na pele.
Monóxido de carbono, dióxido de carbono, ácido cianídrico, cloreto de hidrogênio e acroleína são os gases mais letais em um incêndio. Além da presença dos poluentes, a falta de oxigênio também pode levar à morte.
A manutenção é fundamental
A escada pressurizada não possui 100% de segurança se o sistema não receber a atenção correta de uma empresa especializada desde a sua instalação.
A manutenção deve ser mensal e visa analisar o funcionamento de todos os equipamentos, além de garantir que, em caso de um eventual incêndio, o gerador será acionado. O serviço também assegura mais produtividade do equipamento e aumento da vida útil.
“O sistema de incêndio precisa estar em pleno funcionando quando há algum problema. Pelo menos uma vez por mês precisa passar por uma revisão completa para ver se as grelhas estão corretas, se as portas funcionam, se o motor não tem problema e se o painel está certo”, conta Alexandre Bernardo.
Síndica do Residencial Mar dos Açores, em Itajaí, Cristiane Luiz de Azevedo destaca a importância do equipamento, mas também da manutenção.
“Tendo em vista o alto custo do sistema e sua principal função, que é preservar vidas, precisamos ter o devido cuidado. A fumaça, se inalada em quantidade, poderá ter graves consequências para as vítimas. O valor de manutenção não se mede, pois é um dos equipamentos essenciais na dissipação de fumaça em caso de incêndio”, afirma.
O que diz a Instrução Normativa nº 9?
A Instrução Normativa nº 9 foi criada para estabelecer e padronizar os critérios e o dimensionamento das saídas de emergência em todas as edificações de Santa Catarina, a partir da análise e fiscalização do Corpo de Bombeiros. A IN09 é baseada na Lei 16.157/2013 e no Decreto 1.957/2013, ambos estaduais.
Sendo assim, a escada pressurizada deve seguir as seguintes especificações:
- ter ingresso por antecâmara;
- ter uma resistência ao fogo por 3h;
- ter portas corta-fogo;
- prever área de resgate para pessoas com deficiência;
- ter iluminação natural na escada;
- possuir duto de distribuição de ar pressurizado no interior da caixa da escada;
- a captação de ar deve ser localizada na fachada da edificação;
- prever uma autonomia de funcionamento por 3h;
- possuir grelhas de insuflamento reguláveis;
- o ventilador deve possuir circuito elétrico específico;
- devem ser instalados dois ventiladores (ativo e reserva);
- deve possuir central de monitoramento;
- devem ser instalados acionadores manuais para pressurização;
- a pressurização da escada deve ocorrer automaticamente;
- o desligamento do sistema só pode ser feito manualmente;
- o gerador de emergência deve ocorrer quando faltar energia elétrica.
Se o sistema for instalado em hospitais ou qualquer área com restrição de mobilidade, o cuidado é ainda maior, como apresentar, de acordo com a IN09, antecâmara em condições de dispor de duas portas. Uma delas para dar acesso às áreas de circulação, enquanto a outra fica relacionada ao elevador.
Serviço
Encontre e cote serviços de Admnistradoras de Condomínios