Preocupação crescente. Em Novo Hamburgo (RS) — Um deslizamento de terra atingiu a garagem de um condomínio residencial no bairro Canudos na manhã deste domingo (17), levando a Defesa Civil a interditar parcialmente o prédio e determinar a evacuação de 11 famílias. Segundo autoridades locais, a estrutura do edifício ficou comprometida após o desmoronamento, colocando em risco a segurança de 22 pessoas.
Moradores relataram momentos de tensão, especialmente após ouvirem estalos seguidos do deslizamento, que provocou rachaduras visíveis nas paredes da garagem e em partes das edificações. Nas primeiras horas após o ocorrido, equipes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros compareceram ao local para realizar uma vistoria técnica e evitar novas ocorrências. Felizmente, ninguém se feriu, mas a atenção segue redobrada, já que novas fissuras surgiram nos blocos evacuados.
De acordo com a Defesa Civil, uma análise preliminar apontou que intervenções realizadas pelo condomínio vizinho, atualmente em obras, podem ter agravado a instabilidade do terreno. O órgão destacou ainda que a cidade enfrenta períodos recorrentes de chuva intensa nas últimas semanas, o que é comum na região do Vale dos Sinos nesta época do ano. Por isso, além da avaliação técnica, as famílias deverão ser realocadas para abrigos temporários organizados pelo município.
Quais foram as consequências imediatas do deslizamento em Novo Hamburgo?
Os efeitos do deslizamento foram sentidos imediatamente pelos residentes, que precisaram deixar às pressas seus apartamentos após a constatação das novas rachaduras e alertas das autoridades. O condomínio, localizado na Rua Vereador Oscar Horn, teve sua garagem parcialmente soterrada pelo solo instável, tornando inviável o acesso aos veículos. As famílias afetadas vêm recebendo suporte da Prefeitura, que disponibilizou transporte e abrigo temporário em ginásios municipais próximos ao bairro Canudos.
Moradores ouvidos pela reportagem afirmam que o sentimento é de apreensão e incerteza. Muitos deixaram para trás móveis, eletrodomésticos e documentos, por conta da urgência da evacuação. “Não sabíamos a gravidade, mas ouvimos barulhos e logo as equipes chegaram nos chamando para sair. Foi tudo muito rápido”, relatou uma moradora do bloco B, que preferiu não se identificar.
O comandante do Corpo de Bombeiros de Novo Hamburgo, capitão Fábio da Silva, reforçou que a prioridade é garantir a integridade dos moradores. “Estamos monitorando o local de Novo Hamburgo e já acionamos engenheiros especialistas em estrutura predial, que farão uma avaliação aprofundada após a estabilização do terreno”, declarou o oficial.
O que diz a Defesa Civil sobre as causas em Novo Hamburgo?
Em nota oficial, a Defesa Civil detalhou que indícios apontam para escavações e movimentações de solo irregulares feitas pelo condomínio vizinho, atualmente em obras, que teriam fragilizado ainda mais o terreno, já saturado pela chuva. Segundo a Prefeitura, ainda será apurado se houve omissão ou descumprimento das normas técnicas ambientais e legais por parte dos responsáveis pela obra.
De acordo com especialistas em segurança pública consultados pela nossa redação, casos como este não são inéditos no Vale dos Sinos, especialmente em municípios de perfil predominantemente residencial, onde recentes expansões urbanas têm pressionado áreas sensíveis do relevo. Apesar de cidades vizinhas como São Leopoldo e Estância Velha enfrentarem problemas pontuais com enchentes, eventos como deslizamentos em condomínios são menos frequentes, o que levou a preocupação à comunidade local e intensificou os pedidos por fiscalização urbana mais criteriosa.
O engenheiro Luís Otávio Braga, perito em estruturas, avaliou que os danos físicos observados na garagem e nos blocos evacuados indicam risco iminente de colapso progressivo, caso o solo continue instável. “O solo nesta região de Novo Hamburgo já apresenta histórico de instabilidade em épocas chuvosas. As ações humanas, como escavações profundas, aumentam significativamente o risco de desmoronamentos”, comentou o engenheiro à nossa equipe.
A Secretaria de Obras do município informou que somente após avaliação detalhada dos técnicos será possível liberar parte das residências ou determinar novas interdições. Já a construtora vizinha, apontada preliminarmente como possível responsável pelo agravamento do caso, ainda não se pronunciou publicamente, mas assegurou que está colaborando com as investigações conduzidas pelos órgãos competentes.
Como as autoridades de Novo Hamburgo estão lidando com a segurança dos moradores?
Após a evacuação emergencial no domingo, equipes da Polícia Militar e da guarda municipal passaram a reforçar a vigilância nas imediações do condomínio, tanto para resguardar os bens dos moradores ausentes quanto para impedir a entrada de curiosos ou possíveis saqueadores. Segundo nota da Defesa Civil, técnicos realizaram marcação das áreas afetadas e monitoramento em tempo real, utilizando sensores de inclinação e sondas para detectar novos deslocamentos de solo.
Foram instaladas barreiras de contenção provisórias, além de lonas plásticas, para evitar infiltração de água de chuva no solo exposto. “A ordem é preservar vidas em primeiro lugar e resguardar a possibilidade de retorno seguro dessas famílias, quando possível”, reforçou o secretário de Segurança Urbana, João Kleber Neto.
As investigações conduzidas pela Secretaria de Meio Ambiente apontarão, nos próximos dias, a responsabilidade legal pelos danos e as medidas reparatórias que deverão ser adotadas. O município garante que, diante da gravidade do caso, deve cobrar ressarcimento dos prejuízos provocados com base em laudos periciais, tomando todas as providências cabíveis na esfera civil e criminal, caso haja comprovação de dolo ou negligência.
A equipe de jornalismo do Diário do Estado apurou que a Prefeitura de Novo Hamburgo também avalia instaurar processo administrativo para apurar suposta falha de fiscalização urbanística. Segundo dados recentes do portal da transparência do Rio Grande do Sul, o município realizou 312 notificações por obras irregulares em 2023, sendo o segundo da região em volume de autuações, atrás apenas de Canoas.
Por que o caso gerou comoção em Novo Hamburgo e região?
A tragédia mobilizou não apenas os residentes diretamente atingidos, mas também a população de bairros vizinhos, que manifestaram solidariedade às famílias evacuadas. Nas redes sociais, moradores de Novo Hamburgo cobraram rigor das autoridades municipais e estaduais na fiscalização de obras e exigiram maior transparência dos administradores dos condomínios. Para muitos, o episódio traz à tona debates antigos sobre planejamento urbano responsável em cidades do Rio Grande do Sul sujeitas a desastres ambientais recorrentes.
Historicamente, Novo Hamburgo já sofreu com enchentes de grandes proporções, mas deslizamentos urbanos com risco direto à vida em condomínios são menos comuns. De acordo com levantamento da Defesa Civil Estadual, apenas 4 ocorrências semelhantes foram registradas no município nos últimos 10 anos, em contraste com cidades da Serra Gaúcha, mais suscetíveis a tragédias do tipo em áreas de encostas.
Especialistas do Ministério Público do Estado reforçam a importância de um programa de prevenção integrado entre Prefeitura, empreiteiras e órgãos ambientais. “Casos como esse poderiam ser evitados com fiscalização efetiva e laudos rigorosos antes e durante a execução de obras que impactam áreas residenciais”, disse a promotora Angela Pires.
Para a redação do Diário do Estado, este caso evidencia a necessidade urgente de repensar critérios de avaliação de risco em bairros que concentram novos empreendimentos imobiliários, sobretudo diante das mudanças climáticas e do aumento da frequência de fenômenos extremos no Sul do Brasil.
O que esperar das próximas etapas da investigação em Novo Hamburgo?
Segundo informações repassadas pela reportagem do Diário do Estado, nos próximos dias a Defesa Civil deve apresentar laudo técnico conclusivo sobre as causas do deslizamento, que servirá de base para futuras decisões de desinterdição ou demolição parcial dos blocos afetados. Também é esperada ação conjunta com o Ministério Público e com peritos do Instituto Geral de Perícias para delimitar as responsabilidades civis e criminais pelo incidente.
A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social intensificou o acompanhamento das famílias removidas, oferecendo apoio psicológico, auxílio emergencial e intermédio para aluguel social enquanto as moradias não puderem ser restabelecidas. Crianças e idosos, segundo apurou o Diário do Estado, são as principais prioridades dos programas de assistência durante esse período de incerteza.
Já a construtora vizinha pode responder por danos ambientais, caso fique confirmada a ligação direta entre as escavações realizadas nas últimas semanas e o colapso do terreno. Autoridades ressaltam que o Código de Posturas Municipal estabelece multas que podem ultrapassar R$ 200 mil em casos de negligência que provoquem riscos à saúde e segurança pública.
O repórter do Diário do Estado esteve no condomínio interditado e conversou com moradores desalojados, que demonstram confiança nas investigações e esperam retorno seguro às suas casas. A redação segue acompanhando pessoalmente a evolução do caso e trará atualizações conforme forem divulgadas pelas autoridades responsáveis em Novo Hamburgo.
Fonte: Diário do Estado





