Barulho em tempos de pandemia, um desafio para moradores e síndicos

Barulho em tempos de pandemia, um desafio para moradores e síndicos

Soados os primeiros acordes, uma voz desafinada rompe a madrugada e o sossego de moradores de um condomínio de Balneário Camboriú. A cantoria de mais 20 pessoas no karaokê instalado na sala só foi interrompida com a presença da Polícia Militar. Também na cidade, uma outra festa tinha mais convidados e que circulavam pelo prédio sem máscaras, e um deles chegou a fazer xixi dentro do elevador. Só foi encerrada com a presença dos policiais. Esses são os casos extremos da principal questão que chacoalhou a convivência durante a pandemia entre quem mora próximo: o barulho. 

Crianças correndo dentro do apartamento, a movimentação de animais de estimação, a derrubada de um objeto utilizado em exercício físico, marteladas na parede ou o zunido da furadeira. De todos os tipos e em diferentes horários, os ruídos têm gerado também dor de cabeça e causado reflexos na convivência entre os vizinhos. “As maiores ocorrências são festas, dadas por pessoas não se conscientizam e que são as piores de lidar. Recebem chamada pelo interfone, atendem e, mesmo assim, continuam. Só param quando a PM é acionada, o que é mais delicado. Nas outras ocorrências conseguimos conversar e fazer mediação entre os moradores”, comenta Mirian Scheis, que atua em uma administradora com cerca de 100 condomínios em Balneário Camboriú e também Itajaí.

Festao
Depois de tantos meses de confinamento, as pessoas estão mais suscetíveis a receber parentes e amigos em casa. Diferenciar o que é uma reunião ou o que pode ser considerada uma festa tem sido um desafio para os síndicos

Neste momento a grande questão é o discernimento entre o que é uma reunião ou o que pode ser considerada uma festa dentro de casa. Passados praticamente cinco meses de confinamento, as pessoas estão mais suscetíveis a receber parentes e amigos em seus lares que antes. Diferenciar um e outro e seus limites têm sido um desafio aos síndicos. “São pequenos eventos. Festas grandes são proibidas, mas reunir até 10 amigos em casa para comer pizza ou tomar cerveja têm causado pequenos atritos, interfonemas ao síndico de moradores irritados que alegam que é festa em plena pandemia. Pelo direito de propriedade, o morador pode receber quem quer, mas tem o dever de não causar aglomeração. Reunião não é festa, mas quem define o que é um ou outro? Não se pode caracterizar como festa uma reunião de amigos ou familiares”, aprofunda o advogado e especialista em condomínios Márcio Rachkorsky.

Mais perceptíveis

Com a pandemia pelo novo coronavírus as pessoas passam muito mais tempo em casa. O apartamento passou a ser ambiente de outras tarefas, seja de trabalho ou outras formas de lazer. Os moradores passaram a se sentir desconfortáveis com barulhos que não havia antes ou que não percebiam por estarem fora. Têm sido o campeão de reclamações. No entanto, para Rachkorsky, não têm causado tantos problemas de convivência. Ele, inclusive, vê melhora.

“Embora tenha aumentado os conflitos, a solução deles e, principalmente, a convivência melhorou de maneira geral. As pessoas passam mais tempo em casa, e é natural haver mais conflito. Nas primeiras semanas da pandemia imaginávamos que sairia do controle, que seria o caos, mas não houve essa explosão. Antes eram brigas por coisas grandes. Hoje são questões menores, questões do dia a dia, como as crianças brincando e o som alto da televisão. Estes têm solução apenas com diálogo, de fácil resolução. Os vizinhos estão inclusive trocando mais ideias, conversando mais entre eles”, descreve o especialista que fala sobre a convivência em condomínios para a TV Globo e a rádio CBN de São Paulo.

Casos extremos

Em Balneário Camboriú, conforme a percepção de Mirian Scheis, as ocorrências mais extremas costumam ser de inquilinos - e que trazem problemas aos proprietários dos imóveis. “É uma cidade turística, há pessoas de outros estados que vem pra cá e não entendem que há famílias morando nestes prédios, que há regras de convivência. Estes são do perfil dos saem fora do padrão”. Rachkorsky vai mais adiante e entende que a pandemia fez transparecer comportamentos. “Pelo que temos acompanhado, os moradores que já se portavam mal estão ainda mais antissociais durante a pandemia. Quem já fazia barulho antes, faz ainda mais agora. Os antissociais foram turbinados”.

Outra situação relacionada ao barulho e convivência são as obras. Furadeiras, martelos e outros equipamentos utilizados causam desconforto principalmente em quem trocou o escritório pelo home office. A solução pode ser um acordo para que as reformas tenham horário determinado e reduzido. “Não se proíbe obras que acontecem em ritmo normal enquanto as pessoas estão trabalhando ou estudando. O melhor comportamento é dialogar e encontrar um termo bom para todos. Obras implicam em barulho e síndicos ficam praticamente de mãos atadas. O melhor é determinar uma faixa de horário para que aconteçam e a outra seja resguardada para não prejudicar quem tem seus compromissos em casa”, aconselha Rachkorsky.

Orientar é prevenir

O síndico é agente fundamental para a convivência entre todos os moradores, principalmente neste período. O papel não deve se restringir à fiscalização, de recebedor de reclamações ou do aplicador de multas, mas de mediador. “A mediação é muito importante. O síndico é um líder. A diplomacia e a moderação são as melhores ferramentas. Não é fácil a convivência, mas ao conversar com as pessoas elas tomam consciência”, defende Mirian Scheis.

Marcio Rachkorsky 16
Márcio Rachkorsky: moradores passaram a se sentir desconfortáveis com barulhos que não havia antes ou que não percebiam por estarem fora o dia todo

Uma alternativa, com aprovação de Márcio Rachkorsky, é o gestor colocar em murais e grupo de Whatsapp algumas orientações por melhor convivência, como uma breve cartilha. “Vale a pena. Sem paixão, ideologia e viés político, apenas boas maneiras. O mais feijão com arroz possível, com o óbvio. Não custa relembrar”.

Cinco dicas simples pela boa convivência

1. Converse com sua família

O ideal é reunir quem mora com você e pedir cuidado para evitar barulhos. Peça para que se coloquem no lugar de quem mora próximo e evitar romper o sossego, principalmente após as 22h. Se tiver animais em casa, não os deixe presos em sacadas ou cômodos, para não os estressar. Lembre-se de que arrastar móveis incomoda quem mora no andar de baixo.

2. Evite som muito alto

Não só para escutar música, mas vale para televisão, videogame e até telefone, que também podem atrapalhar quem mora próximo. O barulho incomoda. Para escutar bandas e cantores favoritos ou os vídeos que recebe no smartphone, uma boa alternativa são os fones de ouvido.

3. Cuidado nas janelas e varandas

Atente para que o volume das conversas não seja alto. Além de incomodar, você ainda corre o risco de externar algo íntimo. Inclusive porque, neste momento, as pessoas passam mais tempo nas janelas e sacadas do que antes.

4. Obras, somente emergenciais

Não é o melhor momento para obras, por menores que sejam. Além de incomodar vizinhos, expõe você e eles ao risco de contágio pelo vírus. A reforma pode esperar um pouco. Faça obras somente em casos emergenciais, como vazamentos e reparos necessários.

5. Não incomode o síndico

Lembre-se que ele também deve lidar com reclamações de outros moradores e pode estar atarefado. O melhor caminho é conversar educadamente com o vizinho que causa desconforto. O síndico deve ser acionado somente quando esta possibilidade estiver esgotada.

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Para conter a pandemia do Covid-19 quais medidas estão sendo mais difíceis de serem adotadas no condomínio?

Controlar obras em unidades - 12.9%
Utilização de máscara por moradores - 26.4%
Informar condômino infectado - 7.9%
Aplicar as normas de silêncio - 15%
Controlar o uso de áreas comuns - 14.3%
Realização de assembleias - 20.7%
Locação de temporada - 2.9%
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