Basta o calor apertar para a rotina dos condomínios mudar radicalmente. O ar-condicionado passa a funcionar por mais horas em múltiplos apartamentos ao mesmo tempo, a piscina ganha uso mais frequente, as bombas de recalque trabalham no limite, as áreas de lazer ficam mais movimentadas e a iluminação externa pode permanecer ligada por períodos maiores.
No entanto, o verdadeiro impacto dessa mudança de hábito não aparece apenas na conta de luz, com mais equipamentos funcionando de forma simultânea, toda a infraestrutura elétrica do prédio passa a ser mais exigida.
Segundo o engenheiro eletricista Fabiano da Silva, diretor da ZPN Engenharia, é justamente nesse período de maior demanda que os gargalos ocultos da rede vêm à tona.

“Quanto maior a carga utilizada simultaneamente, maior é o esforço exigido sobre os componentes do sistema. O ar-condicionado, por exemplo, é um dos maiores vilões do pico de consumo no verão. O problema grave surge quando a soma de todos os aparelhos ligados ultrapassa a capacidade para a qual o condomínio foi projetado”, destaca Fabiano.
Essa sobrecarga gera um efeito em cadeia: aquecimento de cabos e conexões, oscilações bruscas de tensão, perda de rendimento dos equipamentos e, em cenários mais graves, risco de curtos-circuitos e incêndios. Nas áreas comuns, a situação se repete com bombas de piscina, exaustores e iluminação operando por longos períodos sem descanso.
“Equipamentos exigidos continuamente funcionam como um teste de estresse para a edificação. Mas o síndico não deve analisar cada item isoladamente; é fundamental avaliar a instalação como um todo e o fator de simultaneidade dessas cargas”, orienta o engenheiro.
O que verificar antes que o calor chegue
Para a equipe técnica da ZPN Engenharia, a melhor hora para descobrir se a instalação está preparada para o aumento da demanda não é durante uma emergência ou depois que um equipamento falha. A recomendação é fazer uma avaliação preventiva antes do período de maior utilização.
Esse cuidado é ainda mais importante em edifícios antigos, que foram projetados para uma realidade de consumo diferente da atual. Hoje, além dos aparelhos de ar-condicionado, os apartamentos concentram aquecedores, eletrodomésticos e mais equipamentos eletrônicos. Nas áreas comuns, novas estruturas e tecnologias também foram incorporadas ao longo dos anos.
“Isso não significa que uma instalação antiga seja necessariamente inadequada. A questão é saber se ela continua compatível com a demanda atual”, explica a diretora da ZPN Engenharia, Andreza Fagundes Delfes.

Segundo ela, a avaliação técnica deve verificar a carga instalada, a demanda efetivamente utilizada, o dimensionamento dos circuitos e a capacidade dos principais componentes.
Os sinais de alerta
Antes que um componente falhe ou provoque um apagão no condomínio, a rede elétrica emite sinais claros de exaustão. Entre os principais pontos de atenção identificados pela equipe da ZPN Engenharia estão:
• Disjuntores desarmando com frequência: Sinal claro de sobrecarga no circuito;
• Quedas e oscilações de luz: Iluminação piscando ou perdendo intensidade quando um aparelho potente é ligado;
• Aquecimento anormal: Quadros elétricos, tomadas ou fiação quentes ao toque;
• Odores e ruídos estranhos: Cheiro de plástico queimado, fumaça ou estalos e zumbidos vindos dos quadros de energia;
• Instabilidade em equipamentos: Aparelhos desligando sozinhos ou apresentando falhas sem causa aparente;
• Troca constante de componentes: Necessidade recorrente de substituir disjuntores ou fusíveis queimados.
Antecipar a vistoria técnica durante a primavera evita custos expressivos com manutenções emergenciais no meio do verão e assegura o funcionamento contínuo do condomínio.
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