Ao longo dos últimos dez anos, o horizonte urbano de Santa Catarina passou por transformações profundas. Edificações modernas, bairros planejados e complexos imobiliários de uso misto redesenharam as cidades catarinenses, trazendo consigo uma demanda sem precedentes por sofisticação e responsabilidade administrativa.
No centro dessa engrenagem, a Associação de Síndicos do Estado de Santa Catarina (ASDESC) alcança sua primeira década de existência consolidada como a grande bússola de orientação, capacitação técnica e representatividade institucional da categoria em todo o Estado.
Quando iniciou seus primeiros passos, a realidade de quem assumia o comando dos edifícios era marcada pelo isolamento e pela falta de amparo. Essa trajetória inicial é relembrada pelo síndico Edgar Francis:
"Antes era uma caçada com hamster... porque não tinha cão, muito menos gato. Estávamos soltos e desassistidos. A união dos síndicos trouxe excelência para esse mercado emergente", pontua Edgar, ressaltando o salto de complexidade que a atividade experimentou. "A evolução nos últimos dez anos foi vertiginosa. Antes, os síndicos eram meros pagadores de boletos; hoje, tornaram-se gestores de verdadeiras empresas, sujeitos às mesmas responsabilidades fiscais e tributárias de um negócio de médio porte."
Para transformar a incerteza em cooperação e método, a ASDESC assumiu um papel estruturante. Em um segmento cuja atividade não conta com um conselho de classe ou CBO próprio, a associação preencheu essa lacuna atuando como legítimo ponto focal de defesa da categoria e diálogo institucional.
Essa força de interlocução foi colocada à prova em períodos críticos, como detalha o ex-presidente Dr. Gustavo Camacho ao recordar os desafios enfrentados durante a crise sanitária global:
"O maior desafio da minha gestão foi atravessar o período pandêmico. Tivemos uma interlocução intensa com prefeituras e com a Secretaria de Vigilância Sanitária do Estado para implantar instruções normativas que atendessem aos parâmetros de segurança", relembra Gustavo.
O ex-presidente também salienta a importância das pontes construídas entre a entidade e os grandes agentes da construção civil:
"Os condomínios são consequência direta do desenvolvimento imobiliário. A ASDESC levou aos desenvolvedores do mercado a importância de gestões de qualidade e seus reflexos no pós-obra e na valorização patrimonial. A entidade é essa grande referência estadual justamente por acolher a representatividade que a classe necessitava", complementa Camacho.
Olhar no presente e liderança para o futuro
Ao atingir a marca de dez anos de atuação, a ASDESC renova sua missão sob o comando da presidente Joyce, direcionando os esforços da entidade para a descentralização do atendimento no Estado e o preparo dos gestores diante das novas fronteiras tecnológicas e ambientais.
Segundo Joyce, a figura do gestor condominial contemporâneo exige competências multidisciplinares:
"A gestão condominial mudou muito nos últimos anos. O síndico deixou de ser apenas a pessoa que cuidava do básico; hoje, ele precisa ter noções de legislação, engenharia, finanças, tecnologia, sustentabilidade e, principalmente, saber mediar conflitos com equilíbrio emocional", explica a presidente.
Outro pilar estratégico da atual gestão é guiar a categoria através das inovações digitais — como portarias remotas, biometria facial, assembleias virtuais e automações — em conjunto com pautas urgentes de eficiência energética e gestão de resíduos. Para a líder da entidade, a técnica nunca anula o discernimento humano:
"A tecnologia substitui procedimentos em algumas situações, mas nunca a responsabilidade. Nosso trabalho é preparar o síndico para analisar ferramentas, medir impactos e tomar decisões seguras. Celebrar dez anos não é apenas comemorar o que foi construído, mas assumir o compromisso com a próxima década e com o legado que queremos deixar para Santa Catarina", conclui Joyce.
Ao cruzar o marco de sua primeira década, a ASDESC reafirma que a profissionalização da sindicatura é um caminho sem volta — transformando desafios solitários em inteligência coletiva e garantindo a harmonia, a segurança e a valorização do patrimônio de milhares de lares catarinenses.





