Mãe de crianças autistas denuncia condomínio por discriminação

Mãe de crianças autistas denuncia condomínio por discriminação

Uma mãe de duas crianças autistas denunciou o condomínio onde morava, em Natal, por discriminação e violação de direitos de pessoas com deficiência, após receber a sugestão de se mudar para uma casa e ser informada de que seria multada por causa dos barulhos provocados pelos filhos ao longo do dia. De acordo com a dona de casa, o condomínio sabia que as crianças tinham autismo desde quando ela passou a morar lá, há cerca de um ano e quatro meses.

O condomínio fica no bairro Pitimbu, na Zona Sul de Natal. Ao G1, a mulher afirmou que foi morar no local porque fica perto da escola onde seus filhos - um menino de 10 anos e uma menina de 5 - estudam. A instituição foi a única a aceitar a matrícula do garoto após outras 20 negarem, segundo ela. "Na escola, ele não tem problema com ninguém. Todos o tratam muito bem", afirma.

Ainda de acordo com a mãe, no início não houve problemas com os vizinhos, porque os filhos passavam a maior parte do dia fora de casa, na escola e nas instituições onde fazem tratamento para o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Porém, durante a pandemia do novo coronavírus, as crianças ficaram a maior parte do dia em casa, o que gerou reclamação dos vizinhos.

De acordo com a mãe, as crianças têm dificuldade de relacionamento e comunicação. Apesar disso, apresentam cada vez mais melhoras, por causa dos tratamentos. "Com a mudança da rotina, meu filho ficou bastante agitado, mas nem estava sempre em casa, porque passava dias na casa da avó e outros aqui", diz.

Com as reclamações dos vizinhos se tornando mais frequentes, em junho, a mãe afirma que pediu autorização da síndica para colocar um cartaz na entrada do bloco de apartamentos informando que seus filhos são autistas.

Porém, em resposta, a síndica sugeriu que ela procurasse uma casa para morar, porque nenhum morador seria obrigado a "aguentar gritos e barulhos".

"Não é porque seus filhos tem problemas que os vizinhos tem que aguentar não. Esses dias recebi várias reclamações, muitos gritos e muitos barulhos vindo do seu apto. Aqui é um condomínio, aqui tem normas. Os vizinhos me reclamam demais e com razão. Então você como mãe tem que conversar com eles. Sabe (nome suprimido), o ideal é você morar em uma casa, pois não tem normas e em condomínio sempre terá normas. Ninguém tem o direito de aguentar gritos e barulhos, tem morador que não pode assistir uma TV por causa do barulho", dizia a mensagem recebida por ela.

A dona de casa afirma que ficou em choque ao receber a resposta. No dia seguinte, ela recebeu outra mensagem, dessa vez da dona do apartamento, que era alugado, informando que o condomínio entrou em contato para avisar que seria notificada e multada por causa do barulho.

"É muito triste que isso aconteça em plena pandemia quando as pessoas deveriam ter mais empatia e serem compreensivas. Estamos todos em isolamento social, onde somos obrigados a ficar em casa. Todas as crianças estão em casa! O barulho ou incômodo aos vizinhos foi durante o dia. E além de tudo meus filhos dormem cedo, na rotina normal passam mais tempo fora de casa, pois além da escola eles têm acompanhamento médico e terapêutico. As características do Autismo não mudam! Nós que temos que nos adaptar a eles. E todos têm a obrigação de respeitar", afirmou em um desabafo publicado em uma rede social, ressaltando que nenhuma pessoa com deficiência pode ser proibida de morar em um condomínio.

Orientada por outras mães de crianças autistas e profissionais que acompanham as famílias, a mulher registrou um Boletim de Ocorrência na Delegacia da Criança e do Adolescente e também relatou o caso ao Conselho Tutelar, denunciando o condomínio por violação de direitos das crianças.

Ela também afirmou que vai entrar na Justiça contra o condomínio por danos morais e afirmou que decidiu compartilhar a história para encorajar outras famílias que também passam por situações como essa.

Apesar de ter recebido apoio da dona do apartamento, ela decidiu se mudar para outro condomínio no mesmo bairro, por não se sentir bem em permanecer no primeiro. A mudança ocorreu no dia 1º de julho e, de acordo com ela, as crianças estão bem adaptadas ao novo condomínio. "Não temos como ir para uma casa, porque moro sozinha com eles, tem a questão da segurança. Por isso moramos em apartamento", disse.

Após compartilhar a história nas redes sociais, a publicação alcançou mais de 260 compartilhamentos e recebeu várias mensagens de apoio.

Fonte: G1

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