Especialistas em segurança mapeiam pontos vulneráveis nos condomínios e criam projeto direcionado.
Um muro baixo, um ponto cego da câmera de segurança, um portão que demora a fechar. Conforme cresce a população das cidades, a ousadia dos criminosos também é aperfeiçoada. Nesse cenário, os condomínios têm buscado empresas e profissionais que ofereçam serviços de consultoria em segurança. Em suma, a ideia é simples: o especialista visita o edifício, identifica os pontos vulneráveis e lista as medidas e equipamentos necessários para que a edificação fique protegida.
Na Grande Florianópolis não é diferente, tanto que a procura tem aumentado nos últimos anos, explica o consultor em segurança Izaías Otacilio da Rosa: “Os segmentos da segurança eletrônica e privada passaram a desenvolver e aprimorar produtos e serviços com foco no setor condominial, disponibilizando um amplo portfólio de recursos capazes de contribuir com a proteção desses ambientes”, detalha o especialista.
O investimento vale a pena?
Em meio a tantas possibilidades, a segurança dos condomínios se tornou uma atividade complexa, mas que exige providências por parte dos síndicos. E o primeiro grande embate, como na maioria das vezes, é a limitação orçamentária. No entanto, para Márcio Koerich, síndico do condomínio Paraíso, em Florianópolis, o investimento valeu a pena. “Entendemos como necessário para evitar um dissabor de ter nossa residência invadida”, comentou.
Após a discussão em assembleia e ampla pesquisa, o condomínio resolveu contratar um consultor independente de segurança em 2010. O profissional fez várias visitas ao local, em períodos diurnos e noturnos, para observar o fluxo e o hábito dos moradores. “O trabalho foi bem planejado. Inicialmente, ele nos informou sobre suas ações e cronograma, que, após seguidos, apresentaram o resultado. Com isso, pudemos ponderar e fazer em conjunto os ajustes necessários”, relatou o síndico.
Com as especificações dos equipamentos indicados pelo consultor, o próximo passo foi cotá-los junto ao mercado. Na época, foram instalados cerca elétrica, cerca perimetral, câmeras, monitores, cornetas, sensores, sirenes, botão de pânico, controle de acesso, entre outros. “Em razão dos níveis de insegurança terem aumentado, decidimos contratar esse serviço, que no caso foi coordenado por um profissional independente, sem vínculo com empresa de segurança”, contou.
Principais áreas de risco
Para visualizar as áreas mais vulneráveis, o condomínio pode ser dividido em quatro partes, explica Izaías: barreiras perimetrais (como muros e grades), controle de acessos (para pedestres e veículos), áreas de circulação de pessoas e ambiente específicos (de uso coletivo, administrativo e privativo). Sendo assim, ele aponta que as áreas que merecem atenção são as barreiras perimetrais e o controle de acessos.
Segundo o especialista, os síndicos e gestores costumam mostrar preocupação com os sistemas eletrônicos, capacitação dos profissionais que atuam no acesso aos condomínios, como porteiros e vigilantes, e comportamento dos moradores. “Todas as percepções dos síndicos e gestores são importantes e necessitam ser incorporados em nossos modelos de consultoria. O que buscamos é construir um entendimento que organize o que é importante e nos possibilite mensurar estes aspectos”, observa.
Anos após contratar o serviço, o síndico Márcio se diz satisfeito com os resultados. “Entendemos que o bem-estar não tem preço, e colocar uma tranca após a porta já ter sido arrombada não faz parte do nosso raciocínio, portanto trabalhamos sempre com planejamento e antevendo os problemas”.