Horta coletiva em Condomínios

  • 06/Fevereiro/2012 - Kalyne Carvalho




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Horta coletiva em Condomínios

 

Ecologicamente sustentável, a agricultura doméstica pode gerar benefícios para os condôminos – preservar a saúde e a natureza e poluir menos. Em países da Europa, dentre outros exemplos, é comum o cultivo de hortas comunitárias domésticas, em praças e áreas ociosas da cidade.

No Brasil, essa consciência está sendo trabalhada por programas governamentais e pela mídia e as ações se concentram em iniciativas individuais e grupos sociais.

Cultivar uma horta requer recursos financeiros. Para o plantio, o condomínio pode utilizar uma parte da área do jardim, orçando custos para nivelamento e tratamento do solo, criação dos canteiros, sistema de irrigação, telas, entre outros materiais.

Outra opção, para quem deseja construir uma horta condominial com custos financeiros minimizados, é fazer o plantio em vasos ou floreiras. Os recipientes móveis descartam a necessidade de um espaço físico amplo e economizam em estrutura. Porém, independente de custos, toda ideia, antes de ser concretizada, deve ser aprovada em assembleia para evitar possíveis reclamações de pessoas contrárias à proposta.

Segundo informações do advogado Flavio Melara, com base nos artigos 1341 e 1342 do Código Civil, a implantação de uma horta no condomínio é caracterizada obra útil e, quando destinada para área não construída, é necessária a aprovação da maioria simples dos condôminos em assembleia.

No entanto, quando a obra para tal fim é direcionada para o espaço físico construído e exigir alterações ou acréscimos, o quórum necessário para aprovação da horta será de dois terços dos condôminos.

Na cidade de Itajaí, no litoral catarinense, o Condomínio Horizontal Praia Brava, composto por 47 casas, é exemplo de uma ideia de horta coletiva que deu certo. São cerca de 70 x 30 metros de área para a horta e 20 metros quadrados para a compostagem, destinados, desde 2009, para o cultivo de ervas, temperos, chás e hortaliças que rendem colheita semanal para beneficiar os moradores.

A gerente do condomínio, Maria Regina Cordeiro, acompanhou o trabalho desde o início. Ela reforça que valeu a pena transpor as dificuldades iniciais para a formação da horta. “Aquela área era tomada pelo mato. Tivemos que limpar o solo e cuidar da compostagem. Aqui é proibido usar qualquer tipo de veneno. Contamos com a ajuda dos voluntários – moradores e funcionários do condomínio. Pelo menos uma vez por semana as famílias recebem ao menos um tipo de alimento da nossa produção”, diz.

Para o desenvolvimento das mudas e sementes, é preciso ter solo fértil. O lixo orgânico, descartado pelos condôminos diariamente, pode, se selecionado, servir de adubo para a terra. Depois de armazenados em recipiente separado, o material orgânico é convertido em um material composto, o húmus. Esse processo biológico é chamado de compostagem.

A Arquiteta Maria Lúcia Mendes Gobi, envolvida com projetos de criação de hortas em condomínios de Florianópolis, propõe mudanças e está trazendo de Curitiba um modelo de compostagem com caixas fechadas, batizada por Lixeira Viva, elaborado pelo Centro de Pesquisa em Agricultura e Pecuária Urbana, Casa da Videira. O sistema transforma o lixo orgânico em adubo sem deixar mau cheiro, o que pode representar solução para os condomínios, já que o principal impedimento para aceitação da prática da compostagem por parte dos moradores é o odor característico que o lixo exala dos recipientes.

Oficina

A arquiteta Maria Lúcia sugere mudança de hábito dentro dos condomínios e convida os leitores do Jornal dos Condomínios interessados pelo tema para participar de uma oficina com o grupo de Curitiba, no dia 10 de março de 2012, em Cachoeira do Bom Jesus, onde reside: “O condomínio que possui uma horta tem inúmeras vantagens. Além de ter acesso a uma alimentação mais saudável sem adição de agrotóxicos, o morador tem sempre verduras, ervas e chás fresquinhos disponíveis sem ter que ir muito longe, o que representa mais economia para todos.

O cultivo incentiva a socialização, já que meu vizinho é o meu cooperado. Para as crianças, possui forte potencial na educação infantil e na formação de hábitos saudáveis”, diz.

Dicas do especialista

Seguem orientações do gestor em manejo ambiental e técnico agrícola, Heli Schlckmann, para instalação e manutenção de hortas condominiais:

1- local adequado para a horta: com incidência do sol, disponibilidade de água, fácil acesso dos condôminos, protegido de acesso de terceiros, de boa fertilidade (ou que possa ser corrigido com adubos naturais);

2- a profundidade para a maioria das hortaliças é de 0,25 a 0,40 m., isso quer dizer que os vasos, floreiras, latas, baldes ou outros recipientes podem ser utilizados;

3- escolha de variedades que sejam apreciados pelos condôminos;

4- escolha de variedades que tenham resistência quanto ao ataque de pragas e doenças;

5- escolher variedades da época, ou seja, plantar as variedades na época certa de seu desenvolvimento, por exemplo: tomate e melão no verão e repolho no inverno;

6- ao ataque de pragas e doenças, sempre utilizar meios naturais de controle, como, por exemplo, cinza de madeira para controlar pulgões;

7- utilizar adubos naturais, como estercos, compostos (que podem ser produzidos no próprio condomínio); os restos de comida podem se transformar em adubos, como também aparas de gramas, folhas, galhos, papéis, jornais e outros;

8- irrigar sempre ao amanhecer, dessa forma as plantas terão água disponível durante todo o dia;

9- manter o solo dos canteiros, vasos ou floreiras sempre arejados, facilitando a oxigenação do solo e gerando, consequentemente, maior produção;

10- colher as hortaliças na parte da manhã, pois elas estão tenras e serão mais palatáveis; e

11- escalonar o plantio de forma a ter plantas sempre para serem colhidas, a qualquer período do ano.

Serviço:

Oficina de Horta Comunitária e Técnicas de Compostagem voltado a síndicos, condôminos e interessados no assunto

Data: 10 de março de 2012

Horário: Das 14h00 às 18h00

Local: Condomínio Praia da Cachoeira, na Cachoeira do Bom Jesus em Florianópolis

Investimento : R$ 50,00 / Vagas limitadas

Interessados podem fazer suas inscrições pelo telefone ou email disponível no blog da arquiteta Gobbi:http://construirsustentavel.wordpress.com/contato/

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Auto Gestão (Não tem auxilio de administradora/contabilidade) - 16.1%
Auto Gestão Assistida (Contrata serviços terceirizados de contabilidade) - 17%
Gestão com empresa administradora - 32.1%
Síndico Profissional (com administradora) - 27.7%
Síndico Profissional (sem administradora) - 5.4%
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