Condomínios antigos optam pelo retrofit

  • 08/Fevereiro/2018 - Kalyne Carvalho




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Condomínios antigos optam pelo retrofit

O retrofit é um termo usado por profissionais da arquitetura e engenharia para definir o processo de modernização, neste caso, de áreas do condomínio, de suas instalações elétricas, hidráulicas e demais elementos do edifício.

Em busca da valorização do patrimônio, os síndicos e condôminos vêm optando por essa prática que pode transformar um prédio antigo já deteriorado em um edifício revitalizado e com aspecto novo.

No condomínio comercial Edifício Adolfo Zigelli, localizado no Centro de Florianópolis, a situação era precária e parecia não ter solução aos olhos dos condôminos e visitantes. Com problemas de infiltração, pintura descascada, equipamentos ultrapassados e design desgastado, a galeria do prédio apresentava um aspecto sujo e abandonado, servindo até de abrigo para moradores de rua.

Hallelevadores

 

A síndica Maria Aparecida dos Santos conta que os condôminos estavam fazendo qualquer negócio para vender as unidades no edifício até decidirem investir no prédio com a opção do retrofit, em que toda a área da galeria foi modernizada. “Muitos proprietários estavam indo embora. Eu também estava quase saindo daqui, mas agora o Adolfo Zigelli é outro condomínio. É como se tivéssemos saído de um século e entrado em outro”, comemora.

A arquiteta Glacy Refosco explica que o retrofit do condomínio Adolfo Zigelli foi avaliado tanto em termos estéticos quanto logísticos. “O retrofit vai além da questão puramente estética, porque é necessário haver uma adequação aos sistemas modernos”, diz. Segundo a arquiteta, a repaginação do edifício Adolfo Zigelli teve que ser executada por etapas. “Começamos pela galeria, porque lá não havia segurança, entrava qualquer pessoa, prostíbulos funcionavam no local. Com a repaginação, o perfil das pessoas que frequentam a área mudou. Conseguimos padronizar também a comunicação visual das lojas”, avalia.

Corredordagaleria Antesedepois

 

De acordo com Glacy, a maioria dos condomínios busca, com o retrofit, melhorar o nível de segurança, com instalação de câmeras, catraca eletrônica, entre outros equipamentos. “Quando é feito esse tipo de adequação, geralmente é necessário mexer em toda a instalação elétrica, que é quase sempre muito antiga e inadequada para as normas técnicas”, complementa.

O condomínio Adolfo Zigelli foi construído na década de 70 e seu nome é uma homenagem a um dos precursores do jornalismo na cidade. A síndica Maria Aparecida conta que o próximo passo é modernizar a fachada do condomínio. “Queremos tudo novo. Ficamos contagiados pela mudança na galeria. Agora queremos melhorar a fachada e as instalações elétricas”, diz.

Circulao Retrofit Adolfoziguelli

A arquiteta Refosco explica que o retrofit gera um impacto positivo, não só para o condomínio, mas para toda a cidade, que também é revitalizada. “O Adolfo Zigelli passou a contagiar os prédios vizinhos para a revitalização e isso é muito positivo para o centro urbano de Florianópolis”, destaca. Além disso, a arquiteta ressalta que a segurança da região também é favorecida. “A modernização nos prédios leva vida para o local e propõe outro público para ocupar o lugar”, sustenta.

Entretanto, alguns prédios da região central de Florianópolis são tombados e exigem determinada burocracia para passar pelo retrofit, conforme alerta Refosco: “Antes de qualquer intervenção em um edifício tombado, é preciso dar entrada em um processo no IPUF e IPHAN e, mesmo assim, não é permitido alterar significativamente uma fachada tombada”. De acordo com a arquiteta, o trabalho do retrofit em prédios residenciais e comerciais muito antigos é suave. “É feita uma limpeza na comunicação visual. Criamos elementos que escondam aparelhos condicionadores de ar, renovamos a pintura, ou seja, nenhuma alteração ou ampliação da estrutura é feita”, informa.

Alerta

No entanto, os síndicos e condôminos devem ter cuidado ao escolher o tipo de trabalho de retrofit que será realizado no prédio. Além de exigir a habilitação técnica do profissional que fará a modernização, é necessário ouvir a opinião de mais de um especialista a fim de decidir pelo retrofit mais adequado e acompanhar o andamento da reforma. Esse alerta se deve a experiências frustradas, como o ocorrido no condomínio Edifício Pedro Xavier, do Centro de Florianópolis.

Recepo Antesdepois Adolfoziguelli

 

 

De acordo com o síndico Robson Vieira, o condomínio foi entregue pela construtora com defeito no reboco, o que provocava problema de infiltração do prédio. Com isso, os condôminos decidiram apostar no retrofit para, além de resolver o problema, modernizar o edifício. Dessa forma, todo o prédio foi revestido por pastilhas de cerâmica com a promessa de corrigir o problema de infiltração. Apesar de ser a favor ao retrofit e reformas para a conservação do prédio, o síndico Robson conta que ficou decepcionado com o resultado. “O problema de infiltração aumentou. A água agora fica retida atrás da cerâmica e não tem como sair. Todos os condôminos estão frustrados e a reclamação é frequente”, relata.

Legislação

Para realizar o retrofit é necessária a aprovação prévia dos condôminos. O retrofit na fachada é considerado alteração da fachada, que, para ocorrer, exige a aprovação de 2/3 dos condôminos. A professora especialista em administração condominial, Rosely Benevides Schwartz, alerta que, ao condômino, individualmente, é vedada a alteração de fachada. “Essa é uma decisão coletiva que exige quórum rígido. Não pode, portanto, ser realizada por um único condômino, conforme dispõe o Código Civil”, informa.

No retrofit não é previsto ampliações. A professora alerta que quando a reforma de uma fachada considerar, por exemplo, a construção de sacadas, a obra deverá ter aprovação da unanimidade dos condôminos. “Colocar sacadas em um condomínio que não tinha sacada muda totalmente a fachada, movimenta toda a estrutura, aumenta o valor do IPTU. Nesse caso não é uma atualização característica de retrofit”, alerta.

A arquiteta Glaci Refosco sugere que, na assembleia de aprovação do retrofit, os condôminos formem uma comissão de obras, elegendo três representantes para estabelecer contato com o profissional que está realizando o trabalho. “A formação dessa comissão de obras diminui bastante as controvérsias entre os condôminos, cria um canal de comunicação, mantém os moradores participativos e inteirados da execução do retrofit, facilita o trabalho e garante aceitação”, conclui.

Fachada Antesdepois

 

 

Por Kalyne Carvalho

(Matéria originalmente publicada em 29/10/2015)

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