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Condomínios de Balneário Camboriú proibidos de gastar água para uso não essencial

Condomínios de Balneário Camboriú proibidos de gastar água para uso não essencial

Prefeitos de Balneário Camboriú e Camboriú assinaram decreto de “estado de alerta”.

Os condomínios de Balneário Camboriú e Camboriú começaram a receber, a partir de 13 de dezembro, notificações das suas respectivas prefeituras informando que fica proibido o consumo de água para uso não essencial. Ou seja, lavações de janelas, calçadas ou qualquer outro ambiente externo, por exemplo, ficam proibidas. 

A decisão está amparada em decretos de “estado de atenção” que tanto o prefeito em exercício de Balneário Camboriú, Roberto Souza Junior (PMDB), quanto o prefeito de Camboriú, Elcio Kuhnem (PMDB) assinaram ontem. “O intuito é que as pessoas não usem água de maneira errada”, diz Roberto Souza Junior. O decreto municipal de estado de atenção permite à Empresa Municipal de Água e Saneamento (Emasa) multar quem desperdiça água. As autuações partem de R$ 27 mil.

A assinatura dos decretos faz parte do conjunto de ações para evitar um colapso na captação e, portanto, na distribuição de água tratada nas duas cidades. “Nesse momento crítico em que o nível do rio está muito baixo, a nossa legislação determina que para que a gente faça qualquer tipo de notificação sobre o uso da água nós temos que ter um ato oficial”, explica Douglas Bebber, chefão da Emasa, empresa de Balneário responsável pela captação, tratamento e distribução de água.

De acordo com a engenheira ambiental Liara Padilha, secretária de Saneamento da prefeitura de Camboriú, poderão haver ainda outras medidas, caso o nível do rio Camboriú não se recupere. Entre elas, a determinação de que empresas diminuam o consumo de água e até mesmo um rodízio de abastecimento, por regiões, nas duas cidades.
No dia 12 de dezembro, a régua da Emasa indicava que o nível do rio Camboriú estava em 89 centímetros. Eram 18 centímetros a mais de quando foi dado o o alerta geral de que o nível do rio chegou ao ponto crítico e ameaçava o abastecimento.

As comportas das arrozeiras continuam fechadas, sem receber água do rio Camboriú, e o bombeamento de água da lagoa do parque Linear para o leito do rio também se mantém, como medidas para tentar recuperar o nível do rio.


Sem investimentos, critica Secovi

Sérgio Luiz dos Santos, presidente do sindicato da Habitação de Santa Catarina (Secovi), que representa os condomínios, tem participado dos debates sobre a falta de água. Ele informa que Balneário Camboriú tem cerca de 2,3 mil condomínios e Camboriú algo perto de 400.
O presidente do Secovi admite que os prédios residenciais são os maiores consumidores de água nas duas cidades. “Os condomínios não apenas representam o maior número de consumidores, como também são os maiores arrecadores para a Emasa”, faz questão de dizer.
Ele faz a afirmação pra balizar uma crítica: a Emasa estaria com um superávit de R$ 70 milhões, mas não investiu para evitar o problema da reservação de água.

Fonte Diarinho / dez 2018