Síndicos incentivam reciclagem

  • 14/Abril/2011 - Redação CondominioSC




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Síndicos incentivam reciclagem

 

Os síndicos possuem papel fundamental na conscientização dos condôminos para se adequarem às novas regras da Política Nacional de Resíduos Sólidos. A lei entrou em vigor em dezembro de 2010 e prevê uma nova gestão para os resíduos sólidos residenciais, comerciais e industriais no país. “O síndico é o gerenciador deste processo de conscientização dentro dos condomínios”, ressalta Luís Augusto Pereira dos Santos, advogado civil e ambiental.

O advogado afirma que todas as pessoas são responsáveis pelo lixo que produzem, portanto, devem se responsabilizar também pela destinação correta. Santos destaca um dos pontos importantes da nova legislação: a logística reversa. Isso significa que o consumidor precisa devolver itens considerados tóxicos como pilhas, pneus, baterias, lâmpadas, óleo lubrificante e eletroeletrônicos ao comércio onde adquiriu estes produtos. Por sua vez, os lojistas os devolverão aos fabricantes, que darão o destino certo aos objetos. “Esses itens não podem ir junto com o lixo reciclável”, diz.

A orientação do advogado é seguida por alguns condomínios, dentre os quais o Bonnard, em Florianópolis. A síndica Sandra de Sousa Alves (foto), informa que no prédio os moradores são conscientes e separam o lixo adequadamente. Ela informa que além de recolher os resíduos que podem ser aproveitados, há recipiente para fazer a coleta destes produtos. Depois a síndica leva para as lojas que recolhem e devolvem às indústrias. “Mantemos lixeiras de cores diferentes em cada andar para que os moradores depositem o lixo de forma correta”, explica.

Hilton Marques, síndico do condomínio Edifício Verona, em Florianópolis, também adotou a medida. No condomínio há dois contêineres diferentes para a disposição dos resíduos sólidos e lixo orgânico. “Aqui também separamos o lixo tóxico e, posteriormente, reencaminhamos para o devido fim”, afirma.

O síndico do condomínio residencial Costa Esmeralda, em São José, na Grande Florianópolis, Aurélio Segala, afirma que realiza trabalho de conscientização de separação do lixo desde o ano passado, mesmo antes de a lei nacional entrar em vigor. “As pessoas estão se acostumando a fazer a separação”, reforça.

A engenheira sanitarista e ambiental, Luciane Dusi, ressalta ser fundamental a conscientização das pessoas para o problema do lixo. Luciane é consultora de qualidade e meio ambiente da Midhas Consulting, de Florianópolis. Ela explica que é importante os condomínios se informarem com as companhias de coleta como proceder porque cada cidade pode ter sistemas diferentes, devem estar atentos aos horários de passagem dos caminhões e denunciarem problemas de falta de coleta em seus bairros.

Florianópolis prepara plano municipal

A legislação nacional prevê que os municípios também organizem suas políticas municipais de resíduos sólidos. O diretor de operações da Companhia Melhoramentos da Capital (Comcap), Wilson Cancian Lopes, afirmou que o município prepara grupos de trabalho para determinar quais rumos a cidade tomará em relação aos resíduos sólidos. “Estamos bastante adiantados em relação a outros municípios que terão de começar do zero”, afirma.

O diretor ressalta que Florianópolis possui a coleta seletiva desde 1994 e que de lá para cá o sistema está melhorando, apesar de necessitar de aprimoramento. Dentre as expectativas de melhorias está a de coleta por tipo de material. “Estamos ainda formando grupos de estudos para designar as melhorias a serem efetuadas”, explica. Ele destaca que apenas 8% dos municípios fazem a coleta seletiva e que a Capital está à frente de outras cidades.

A gerente da divisão de coleta seletiva da Comcap, Cristina de Oliveira Monteiro, reforça que os condomínios precisam estar atentos aos horários de funcionamento da coleta seletiva e devem relatar problemas relacionados a possíveis falhas no recolhimento do material, como alguns síndicos destacaram.

Cristina também chama a atenção para que os moradores utilizem a cor azul claro ou transparente para diferenciar o lixo orgânico do reciclável. “Nossa intenção não é multar ninguém, mas orientar sobre a melhor forma de acondicionar os resíduos.” A determinação das cores e a forma de embalar o lixo estão previstas na lei municipal 103/2003.

Projeto é orientar moradores

O vice-presidente e diretor da Câmara de Meio Ambiente da FloripAmanhã, Otavio Ferrari Filho, diz que a entidade busca recursos para implantar um projeto de conscientização nos condomínios da Capital. A ideia é produzir uma cartilha com orientações sobre reciclagem de lixo. “Atualmente, apenas 5% do lixo produzido na Grande Florianópolis é reciclado”, diz. A FloripAmanhã adotou a iniciativa de criar o Fórum Interinstitucional de Resíduos Sólidos com o apoio de diversas entidades públicas, privadas e do terceiro setor. O objetivo do Fórum é aumentar esse volume para 10% em 2011. O projeto já foi encaminhado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Social do município e também ao Ministério Público.

Para atingir esse objetivo, o fórum trabalha em rede, aumentando a disseminação de informações e pessoas envolvidas. Os mais de 90 participantes reúnem-se mensalmente para articular as diversas iniciativas de entidades relacionadas com a gestão de resíduos sólidos na Capital para dar um sentido único às ações desenvolvidas.

Morador consciente gera menos lixo / entrevista

O engenheiro ambiental Gustavo Carmona, de Florianópolis, ressalta que a política nacional de resíduos sólidos vai contribuir na busca de soluções para o lixo produzido pelas populações. Na opinião do especialista, os síndicos e moradores de condomínios também podem fazer a sua parte para minimizar os problemas relacionados ao lixo. Ele destaca que o poder público deve buscar maneiras de informar aos síndicos sobre os dispositivos da lei e os riscos que representam a presença de diversos tipos de resíduos domiciliares. Ele orienta que o armazenamento temporário do lixo dentro dos condomínios deve ser efetuado em contêineres separados por tipo. Confira a entrevista do engenheiro concedida ao JC.

Jornal dos Condomínios: Qual sua visão sobre esta legislação? Ajudará a diminuir o problema de lixo nas cidades?

Gustavo Carmona:Em relação à atual Lei da Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS), acredito que ajuda muito na busca de solução dos problemas originados pela presença dos resíduos sólidos no meio ambiente. Saliento a importância do artigo 6º, no qual ficou estabelecido como primeiro princípio a precaução e prevenção. Isso nos leva a pensar que se aplicado conforme estabelecido na lei a solução para o problema dos resíduos deverá ser apontada e aplicada na sua fonte de origem, ou seja, bem no inicio do ciclo de vida dos produtos.

JC: Como os moradores de condomínios e os síndicos podem ajudar a minimizar os problemas de lixo?

Carmona: Antes de qualquer ação destinada a solucionar os problemas de lixo, o poder público deve informar aos síndicos sobre os dispositivos da lei e os riscos que representa a presença dos diversos tipos de resíduos domiciliares. Para isto pode requerer o apoio das empresas construtoras, entidades de classe e entidades vinculadas à administração de condomínios. Deve-se orientar a adoção de medidas para minorar e segregar os resíduos dentro das moradias e o armazenamento temporário dos resíduos dentro dos condomínios deve ser efetuado em contêineres separados por tipo. Deve-se ainda exigir a implantação dos serviços da coleta e destinação final, por parte do município, de forma seletiva e com reciclagem.

JC: Na sua avaliação, há ainda pouca conscientização? Ou as pessoas estão mais cientes da necessidade de separar os materiais?

Carmona: “Há pouca conscientização, pode-se observar pela quantidade de resíduos que são destinados nas galerias pluviais, na própria rua e na praia”.

JC: Como o senhor vê a atuação das instituições públicas?

Carmona: A atuação dos órgãos públicos está relacionada de forma diretamente proporcional às reclamações que os moradores efetuam aos representantes municipais de bairros. Ou seja, se a comunidade exige, não é atendida e continua votando nas mesmas autoridades municipais significa que as coisas estão de acordo com o que elas querem e as coisas andam muito bem. Sendo a participação da comunidade de modo geral fraca e omissa, o município estabelece as suas prioridades conforme achar melhor.

JC: Como o síndico pode conscientizar os condôminos de que o lixo tóxico não é reciclável e precisa ser encaminhado de outra forma, mais adequada?

Carmona: “Divulgamos com frequência informativos sobre o risco que representa a presença do lixo tóxico no condomínio e no meio ambiente. A situação pode mudar se colocar depósitos adequados para a coleta deste tipo de resíduo em lugar visível. A conscientização vai aumentar ao se promover palestras e debates nas reuniões de condomínio. Os moradores podem solicitar a participação de integrantes das instituições públicas para informar sobre os problemas e medidas de controle. Os órgãos públicos têm a obrigação de atender este pedido”.

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