Energia solar em alta

Energia solar em alta


A Celesc lançou em fevereiro deste ano um projeto que fornece subsídios para a aquisição do sistema de painéis fotovoltaicos em unidades consumidoras residenciais.

Em tempos de turbulência econômica, muita gente procura "apertar o cinto". Nos condomínios residenciais não é diferente, e síndicos e moradores têm procurado diferentes maneiras para economizar nas contas. Da individualização da cobrança de água à instalação de portarias "virtuais", são muitas as opções que ajudam a baixar o gasto mensal de apartamentos e edifícios. A medida mais recente que muitos condomínios têm adotado é a geração de energia solar por meio de painéis fotovoltaicos.

Em 2015, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) publicou a Resolução n. 687, que regulamentou e trouxe facilidades para que casas, edifícios comerciais e residenciais, e indústrias possam gerar energia elétrica renovável. Nesse embalo, a Celesc lançou, em fevereiro deste ano, um projeto que fornece subsídios para a aquisição do sistema de painéis fotovoltaicos em unidades consumidoras residenciais de Santa Catarina.

Como os condomínios, em sua totalidade, não são considerados unidades residenciais, é preciso individualizar a geração de energia solar para cada apartamento. " Cada consumidor precisa entrar com uma solicitação separada", explica Márcio Lautert, engenheiro elétrico da Celesc e gerente do projeto de painéis fotovoltaicos residenciais.

As inscrições para o projeto "Bônus Fotovoltaico" da Celesc ficaram abertas durante cinco dias, com procura muito acima da expectativa da empresa. "Disponibilizamos o projeto para 1.000 unidades consumidoras e tivemos 11.925 inscrições. Agora, estamos fazendo triagem e vistoria técnica para ver quais serão contempladas, porque é preciso cumprir alguns requisitos, como a correta inclinação e orientação do telhado", afirma Lautert.

No condomínio Residencial Granville, localizado na Trindade, em Florianópolis, um dos moradores foi contemplado pelo projeto e entrou em contato com a síndica Elizete Pacheco. "Temos uma assembleia agendada para discutir a questão e analisar toda a questão legal, porque é necessário 20 m² de telhado para cada unidade e não teríamos o suficiente caso muitos moradores decidissem fazer a instalação dos painéis", comenta Elizete.

Apesar da preocupação da síndica, o engenheiro elétrico da Celesc garante que não há problemas legais. "Essa estimativa de 20 m² é para a produção de 300 KW/h por mês, que é um consumo considerado médio-alto para uma família. Esse cálculo é feito para que o sistema cubra 90% da capacidade de consumo. Se o espaço precisar ser reduzido para atender a todos os moradores, os painéis cobrirão 50% do consumo, por exemplo", explica Márcio Lautert.

Elizete Pacheco
Elizete Pacheco, síndica do Residencial Granville, na Trindade, em Florianópolis

Economia em longo prazo justifica o investimento

No projeto da Celesc, a instalação completa dos painéis fotovoltaicos custa R$ 6.682,33 para cada unidade consumidora. "A estimativa que temos é a de que a instalação dos painéis gere uma economia de até R$ 2.000 por ano. Assim, em três ou quatro anos essa conta está paga", afirma o engenheiro elétrico da Celesc, Márcio Lautert.

Para fazer a instalação pela Celesc, é preciso ficar atento à documentação. Para os casos em que o telhado do último andar do edifício é considerado área comum, é necessário entregar uma ata da reunião de condomínio, com assinatura de todos os moradores, autorizando a instalação. Se o telhado for considerado privativo, é preciso entregar a Convenção do Condomínio que especifica o uso do espaço.

Ainda com dúvidas sobre a legislação, a síndica Elizete Pacheco está em contato com a Celesc para avaliar uma possível instalação dos painéis para um ou para todos os apartamentos. "A minha preocupação é abrir o precedente e depois não conseguir atender a todos os moradores", explica. "Se eu morasse em uma casa, já teria feito. Aqui no condomínio, estamos pensando em fazer, pelo menos, para as áreas comuns. É uma medida muito bacana, porque gera economia e traz uma reeducação do consumo", finaliza Elizete.

 

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