Chuvas fortes trazem problemas aos condomínios

  • 12/Janeiro/2018 - Redação CondominioSC




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Chuvas fortes trazem problemas aos condomínios

Com cidades lotadas de turistas, o litoral catarinense foi duramente afetado por uma chuva muito acima do esperado nos últimos dias. A Grande Florianópolis e Litoral Norte, onde estão localizadas as cidades de Balneário Camboriú, Itajaí, Porto Belo e Penha foram as regiões mais prejudicadas.

Ao todo, 19 cidades catarinenses tiveram prejuízos com a chuva que causou alagamentos em vias e imóveis e deixou pessoas desabrigadas.

Na Grande Florianópolis, de terça-feira até a quinta-feira (11), choveu 400 mm. De acordo com a Defesa Civil, a precipitação é quase três vezes a média do mês de janeiro, quando chove entre 150 mm e 170 mm.
Temporadas de chuvas fortes costumam trazer muito problemas para os condomínios, como infiltrações em telhados e alagamento de garagens subterrâneas. O Jornal dos Condomínios entrevistou o arquiteto e especialista em patologia da construção Armando Felipe da Silva para dar orientações aos síndicos de como agir nestas situações.

Leia abaixo trechos da entrevista:

Jornal dos Condomínios: Santa Catarina tem sofrido constantemente com a incidência de alagamentos, inundações e enchentes. É possível evitar essa situação?

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Armando Felipe da Silva - As enchentes ocorrem pela combinação de três parâmetros importantes: o primeiro refere-se à área de abrangência da bacia hidrográfica da cidade. Leva em consideração os rios e seus afluentes próximos às áreas urbanas, onde as águas pluviais captadas dos sistemas de drenagens pluviais públicos irão desaguar.

O segundo refere-se à intensidade das chuvas, cujo sistema de drenagem das vias públicas deve ser capaz de coletar e transferir as águas da chuva para a bacia hidrográfica no tempo mais curto possível. Possui relação direta com o diâmetro dessas tubulações.

O terceiro refere-se ao escoamento superficial das ruas, terrenos, quintais, telhados etc., ou seja, quanto mais rápido for o escoamento maior será a quantidade de água que o sistema de drenagem deverá captar e levar para desembocar em regiões da bacia hidrográfica. Fica fácil perceber que, se a quantidade de chuva for muito grande, juntamente com os sistemas de drenagem obstruídos, ou que não possuemabertura suficiente para dar vazão à quantidade de água imposta, o tempo de escoamento será maior e consequentemente ocorrerá acúmulo temporário de água da chuva em torno dessas áreas, provocando as enchentes.

A vazão insuficiente dos sistemas de drenagem existentes nas vias públicas das grandes cidades acontece também por fatores como a obstrução parcial ou total dessas tubulações devido ao acúmulo de lixo, impermeabilização do solo através de pavimentação de ruas e calçadas. Outro fator que contribui para o transbordamento de rios e riachos é o fato de estes receberem muita água da chuva do solo e das redes pluviais pelo assoreamentode aterros clandestinos e de desmatamentos muito próximos ao leito. Além disso, há ainda o problema do nível das marés em regiões muito próximas a mangues.

JC - Quais áreas do condomínio são mais afetadas com incidência de fortes chuvas?

Armando Felipe da Silva - Os subsolos são espaços que ficam situados abaixo do nível da via pública e são muito fáceis de serem alagados, seja por um simples vazamento de alguma tubulação do edifício ou até por força da pressão negativa provocada pela água contida no solo em torno e abaixo do nível do subsolo, chamado de lençol freático.

Todo o subsolo deve possuir um sistema de drenagem que colete essas águas e transfira para um pequeno reservatório, situado abaixo do piso. Toda a água coletada fica armazenada nessa caixa, e quando chega a um determinado nível interno, dispara um dispositivo que liga as bombas de recalque. A função do equipamento é lançar, através de sucção, as águas contidas na caixa para o sistema de água pluvial da via pública, protegendo assim o subsolo das inundações.

É comum, em chuvas muito intensas e prolongadas, as bombas não possuírem capacidade para lançar tanta água à rede pluvial da via pública. Nesses casos, é necessário aumentar a quantidade de bombas de recalque regulando de forma diferenciada a altura dos níveis de água para acionamento automático para cada uma. É importante, também, instalar um sistema com sinal sonoro que informe quando a segunda bomba começar a funcionar, assim os moradores podem ficar atentos a uma possível inundação e ter tempo para remover veículos e outros pertences.

É importante, também, que os condomínios tenham uma bomba de recalque manual com motor a gasolina situada no andar térreo, no caso de falta de energia ou quando as outras bombas não forem suficientes. O ideal é treinar alguém no condomínio para saber como proceder caso necessite utilizar a bomba mecânica nos momentos em que o zelador não estiver presente, pois ninguém pode prever quando o edifício pode ficar sem energia elétrica e quando poderá ocorrer uma possível inundação.

JC - Além dos estragos que as inundações provocam no subsolo dos edifícios, outras áreas do prédio podem ser prejudicadas com chuvas intensas e prolongadas?

Armando Felipe da Silva - Atualmente, em decorrência do aquecimento global, há o aumento da frequência de chuvas muitos fortes, com um índice pluviométrico muito acima do normal para as diferentes estações do ano. Esse fator tem provocado muitos problemas em telhados, principalmente nos edifícios mais antigos. O sistema de cálculo para os sistemas de coleta das águas das chuvas eram baseados em índices pluviométricos da época.

Com o passar dos anos, os sistemas começaram a ficar insuficientes, não dando a vazão rápida para as águas das chuvas, provocando o transbordamento de calhas e, como consequência, provocando possíveis danos nas instalações elétricas e sistemas mecânicos situados em torno dos telhados, seguidos também do desenvolvimento de processos de corrosão de armadura nas lajes dos apartamentos situados nos últimos pavimentos.

JC - Que cuidados podem ser tomados pelos síndicos para garantir que fortes chuvas não danifiquem os prédios?

Armando Felipe da Silva - Há vários cuidados a serem tomados pelos síndicos, como por exemplo:

- Fazer a limpeza das calhas dos telhados e saídas pluviais (ralos) a cada seis meses. Em edifícios muito próximos de vegetação, fazer a limpeza a cada mês. Verificar periodicamente se o telhado não possui telhas quebradas;

- Verificar periodicamente o estado das mantas de impermeabilização das coberturas e dos áticos; verificar a impermeabilização dos poços dos elevadores, pois os mesmos não podem conter água. Sempre contratar profissional habilitado para o serviço;

- Verificar as vedações das esquadrias junto aos requadros externos;

- Fazer as revisões das bombas de recalque, sistema de sinal sonoro da segunda bomba, e periodicamente revisar a bomba de recalque manual;

- Manter as calhas de drenagem do subsolo sempre limpas;

- Os síndicos e zeladores devem tomar cuidado com a obstrução das saídas pluviais das lajes que cobrem o reservatório superior e casa de máquinas dos edifícios. O entupimento das saídas pluviais pode ocasionar o transbordamento e a água alcançar os eletrodutos, que são tubos que carregam a fiação de instalações elétricas, e chegar às caixas de luz dos corredores provocando choque elétrico na pessoa com que tiver contato.

 

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