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Colocando-se no lugar do outro

Colocando-se no lugar do outro

Uma vez que, vivemos em sociedade, em comunidade, coexistindo, é necessário que aprendamos a viver, conviver e adaptarmo-nos a uma complexa rede de relações pessoais, que trazem consigo muitas diferenças e conflitos.

É necessário que aprendamos a conviver e respeitar complexos códigos de leis, normas e regras, sejam eles de um condomínio, comunidade ou sociedade.

Não há sociedade ou comunidade, mesmo as primitivas, que exista e sobreviva sem um código de leis, mesmo que rudimentar, simples. As leis, regras e normas em sociedades modernas como a nossa, servem como ferramentas civilizatórias, como guias à nossa evolução, e com isso possuem o objetivo de nos proporcionar justiça, organização, desenvolvimento e bem estar social.

Na ausência destas qualidades e características, qualquer nação, sociedade ou comunidade está fadada ao desequilíbrio, à desordem, ao caos, à extinção. Imaginemos por um instante, um condomínio residencial como se fosse uma pequena amostra da sociedade ou comunidade em que vivemos. Quando nos observamos deste ponto de vista, é possível nos reconhecermos e nos sentirmos como que fazendo parte de algo maior. Imaginemos agora, que a sociedade ou comunidade em que este condomínio está localizado, não possua um código de regras, normas e leis.

Este é um lugar onde fatalmente se instalaria o caos, a insegurança, a desordem, a injustiça e o mal-estar social. Desta forma, convoco o leitor a irmos um pouco mais além. Imaginemos um condomínio em que não possua, nem tampouco seja regido por um código de regras e normas, ou, ainda, um condomínio em que essas regras não sejam respeitadas. É por isso que um condomínio não só deve possuir um código de regras e normas, como também fazer com que sejam respeitadas e cumpridas à risca, pela figura do síndico e também pelos próprios condôminos, sob pena de desorganizar-se a ponto de gerar o mesmo caos, injustiça, desordem, insegurança e mal-estar coletivo.

Para isso, o síndico, com o auxílio de seus condôminos, deve organizar regularmente, reuniões com todos os seus representantes, com o intuito de que as normas e regras do seu condomínio sejam construídas coletivamente e atualizadas com mais frequência e na medida em que surjam novas demandas e necessidades dos seus condôminos. É necessário que todos, de forma coletiva, entrem de acordo e ratifiquem essas regras, para que não surjam futuras distorções e descontentamentos.

É necessário que todas as arestas sejam polidas, todos os conflitos sejam abordados e resolvidos sem receio, que todas as resoluções sejam de comum acordo e, sobretudo, que todos estejam plenamente conscientes de suas decisões e escolhas. É essencial que cada um coloque-se no lugar do outro, pois fazendo isso é natural e esperado que o outro também o faça.

Desta forma se diluem os conflitos, diminui-se a tensão, e o sistema retorna à sua homeostase, ou seja, ao seu equilíbrio. Um condomínio nada mais é que um sistema, como uma família, um grupo, um organismo. Nunca é estanque, está sempre em eterna mudança, num porvir, em transformação. Desorganiza-se para organizar-se, desatualiza-se para atualizar-se. Um condomínio em equilíbrio e saudável, é um condomínio que está sempre se atualizando, sempre em movimento e de forma coletiva.

Danilo Lopes é psicólogo clínico e psicoterapeuta de orientação analítica. danilo.lpz@hotmail.com