Respeito às diferenças

  • 03/Fevereiro/2017 - Redação CondominioSC




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Respeito às diferenças

Confira as orientações de profissionais sobre algumas características que podem ser encontradas nos moradores e quais as formas de lidar com cada tipo de personalidade.

A convivência em condomínio é como viver numa grande família: há os conflitos, as brigas, a reconciliação, os momentos de discussão e também os de alegria. Num edifício, há moradores de diferentes personalidades, estilos e vivências. Pessoas com gostos, idades, costumes e ideias variadas precisam conviver no dia a dia. Mas nem sempre a tarefa é fácil.

Se o síndico consegue identificar as particularidades de cada um e mostrá-las ao conjunto, pode minimizar os impactos do que há de prejudicial nas diferenças e tirar proveito da boa vontade para melhorar a administração do prédio.

Na avaliação do advogado e síndico profissional, Harisson Araujo Almeida, de Florianópolis, o bom senso e a sensibilidade do síndico devem prevalecer. “As ações do síndico, cujo encargo principal é representar o condomínio e defender os interesses comuns, devem estar pautadas na aproximação das pessoas, na promoção do respeito mútuo, na prevalência da moralidade, no atendimento das perspectivas dos moradores e no cumprimento e aplicação do que prevê a convenção e o regimento interno”, ressalta.

A psicóloga Letícia Delpizzo considera que a conversa seja a melhor forma de conquistar a simpatia, a atenção e o respeito. “Quando as pessoas estão dispostas a dialogar, os problemas são resolvidos mais facilmente”, acredita.

Para o gerente da Sensato Administração de Condomínios , Marcelo Becker, o cumprimento das regras, o respeito entre as pessoas e a compreensão são fundamentais para o bom convívio dentro de um condomínio. Confira as orientações dos profissionais sobre algumas características que podem ser encontradas nos moradores de prédios e quais as formas de lidar com cada tipo de personalidade.

As diferentes personalidades

O BALADEIRO

É aquele que gosta de oferecer festas para os amigos. Geralmente são os mais jovens e que gostam de ficar até mais tarde com os amigos. São pessoas descontraídas e com vida social agitada. Para o baladeiro, a festa em plena segunda-feira é apenas diversão, mas para o vizinho o barulho pode ser uma tortura.

O que fazer?

Síndico e advogado Harisson Araujo Almeida: “O baladeiro demanda que os colaboradores estejam preparados para se relacionar e compreender este tipo de condômino, pois seus horários são noturnos. Recomenda-se que qualquer postura contra as regras do condomínio deve ser registrada em livro próprio para posterior advertência”.

Letícia Delpizzo, psicóloga: “A melhor maneira de gerar a transformação de comportamento é a conversa. Negociar as regras é diferente do que agir severamente, pois o morador se sentirá respeitado e mais facilmente buscará considerar o resultado de suas atitudes para seus vizinhos.”

O FOFOQUEIRO

Está sempre de olhos abertos para o que ocorre com as pessoas no prédio e repassa informações falsas aos funcionários, vizinhos e síndico. As ações geram discórdia entre os moradores, funcionários, administração e podem causar danos à moral de uma pessoa injustamente.

O que fazer?

Síndico Harisson: “Aconselha-se ficar afastado, até para servir de exemplo e, principalmente, evitar a discórdia dentro do prédio.”

Marcelo Becker, gerente da Sensato Administração de Condomínios: “Não há fofoqueiro se não tiver quem o escute e o melhor é não tomar partido. É importante saber a verdade das informações, apenas se o problema afetar o condomínio. Se for a respeito da vida pessoal de um morador, o síndico deve abster-se e não passar as informações aos outros condôminos. O funcionário também deve ser o mais profissional e discreto possível e não repassar informações sobre o que ouve para outros moradores.”

Letícia: “É um morador que provavelmente não tem muito o que fazer. Gosta de ser o centro das atenções e de demonstrar que “conhece” tudo. A sugestão é ocupá-lo em alguma comissão e procurar conversar com ele nas reuniões ou em grupo. Caso as atitudes dele levem a alguma crise maior, procurar chamar os envolvidos e esclarecer o assunto em grupo”.

O IMPLICANTE

Questiona a administração em tudo. Não quer que as coisas funcionem e reclama constantemente.

O que fazer?

Marcelo: “Trazer o condômino para o lado da administração, com convites para fazer parte do conselho, das reuniões informais com a administração, solicitar que apresente soluções ou o seu ponto de vista sobre futuras decisões. Importante também não deixar margem de erro para questionamentos”.

Letícia: “O implicante é metódico, por isso é interessante chamá-lo para participar em funções de secretariado e tesouraria. Pode pedir para ajudar a fazer os balancetes. É um tipo de tarefa que é importante ter uma pessoa deste perfil e que usará sua chatice para algo que vai ajudar a todos. Também pode pedir para que faça as atas das reuniões, assim ele não terá como criticar algo que ele tenha feito”.

Síndico Harisson: “Ao implicante, o síndico deve dedicar toda sua simpatia e “jogo de cintura” na solução dos percalços criados, muitas vezes, por teimosia do morador. Geralmente, ele não comparece às assembleias e nos dias seguintes procura opor-se ao decidido.”

A FAMÍLIA PROBLEMA

Aquela que vive em pé de guerra e os respingos das desavenças causam transtornos para os outros moradores. É muito difícil se envolver em questões de casal, mas o síndico deve chamar a atenção quando o sossego dos demais for perturbado.

O que fazer?

Letícia: “Pode-se iniciar a conversa desta forma: ‘Percebo uma certa agitação no seu apartamento. Vocês precisam de alguma ajuda?’ Oferecer colaboração fará com que a pessoa se sinta acolhida e estará dando uma indireta mostrando que todos já sabem que eles estão com problemas.”

Síndico Harisson:“Impõe-se mais cautela, pois se trata da instituição constitucionalmente protegida, devendo toda intervenção, se necessária, ocorrer diretamente com o chefe da família a fim de evitar problemas e distorções de comunicação. No entanto, isso não significa conivência com atitudes desordeiras, devendo sempre o síndico aplicar o previsto na regra estabelecida em convenção”.

O LOUCO POR OBRA

O louco por obra é aquela pessoa que modifica com frequência algo em casa. Essa mania chega a deixar os moradores preocupados com a possibilidade de o proprietário mexer tanto que atinja a estrutura do prédio. Qualquer condômino tem o direito de fazer quantas reformar quiser em sua unidade, porém é preciso respeitar alguns critérios.

O que fazer?

Letícia: “Os condomínios têm regras sobre reformas e horários para executá-las. Quando um morador se excede pode ser que seja uma pessoa que gosta muito de mudanças. Pode-se envolvê-lo na comissão de reformas do prédio e pedir sugestões de como organizar o hall, salão de festas etc. Ou seja, ele continuará fazendo algo que gosta, mas em favor de todos os moradores e não só em sua unidade.”

Síndico Harisson: “Há aqueles que querem modificar também o prédio onde moram. Além de não se importarem com a decisão da assembleia em relação a obras ou reformas, ignoram totalmente a previsão orçamentária. A disponibilização de uma lista de sugestões 30 dias antes da assembleia pode ser a melhor maneira de afastar os moradores que não contribuem para o convívio harmonioso”.

O DONO DE ANIMAL PROBLEMA

As normas jurídicas não permitem mais que o condomínio proíba os moradores de ter animais, desde que eles não interfiram no bem-estar do restante dos moradores do prédio. Mesmo assim, há bichos que fazem barulho a qualquer hora ou que não são transportados de forma correta. O dono de animal problema é, na verdade, o pivô das desavenças, já que é ele quem não respeita as regras do edifício por não entender que existem pessoas que não gostam de animais.

Síndico Harisson: “Este tipo de morador é origem de muitas polêmicas nas relações condominiais. Neste caso, só resta a observância do regimento interno.”

Letícia: “Alguns donos de animais precisam ser educados sobre essas regras. O diálogo deve ser a ferramenta principal. Quem tem afeto por animais, algumas vezes os vêem como “pessoas” e não entendem as reclamações dos que não gostam de animais. Muitas vezes uma conversa esclarecendo as regras e, delicadamente, pedindo que se coloquem no lugar do outro podem ajudar o dono do animal a respeitar as regras”.

O ANTISSOCIAL

É aquele que gosta de levar vantagem em tudo. Para ele, a estratégia de manejo é mostrar-se mais “esperto” que os outros. Morador assim entende que está isento de consequências e por isso deve receber todas as advertências e multas previstas na convenção de condomínio.

Síndico Harisson: “Em relação a moradores com esta personalidade só resta integrá-los aos demais por meio de confraternizações, como festas juninas e jantares de Natal. Enfim, é importante a conjugação equilibrada da sensatez e do diálogo. E a observância dos institutos legais será sempre a melhor saída.”

O AUSENTE

O ausente é aquele que não participa de nada ou frequenta as assembleias, mas não opina – para ele tudo está bom. Se muitas pessoas no condomínio têm esse perfil, o síndico fica sobrecarregado de tarefas, que devem ter a colaboração de todos. Outro problema está relacionado à falta de quorum para decisões importantes por causa dos faltosos.

Leticia:“Nossa sociedade atual já tem inúmeras tarefas e responsabilidades no dia a dia. Acrescenta-se a isso o rótulo que as reuniões de condomínio têm: longas e chatas. Por isso muitos se tornam ausentes. Sugiro que o síndico procure conversar informalmente com os moradores nos corredores, observar o que gostam de fazer e convidá-los para tarefas específicas que os atraiam. Assim, estariam participando de modo prazeroso da vida em condomínio”.

Originalmente publicado por 30/09/2011

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