Diversidade para o bem

  • 19/Março/2018 - Redação CondominioSC




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Diversidade para o bem

Em condomínio a diversidade de pessoas com personalidades e estilos de vida diferentes, ligados apenas pelo fato de dividirem um lugar parcialmente coletivo e em parte privado, muitas vezes é visto somente como geradora de conflitos.

São pessoas de idades, costumes, gostos, trabalhos, necessidades distintas. Porém, se o síndico souber identificar as particularidades de cada um e mostrá-la ao conjunto, poderá minimizar os impactos do que há de prejudicial nas diferenças e tirar proveito das benevolências para melhorar a convivência e a administração do condomínio. Cada condômino tem sua particularidade, a psicologia comprova que as pessoas são únicas em seu existir.

Mas o Jornal dos Condomínios consultou especialistas de áreas ligadas a vida condominial, como administradores e advogados, além de uma psicóloga, para apontar os principais tipos de moradores e dar dicas de como solucionar os problemas ocasionados por seus temperamentos e como transformar essas dificuldades em virtudes.

O baladeiro

 

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Qual o condomínio que não tem pelo menos um morador que gosta de oferecer festas para os amigos regularmente. Alguns não escolhem dia, nem hora. São capazes de chamar os colegas para uma cervejinha e ouvir um som em seu apartamento em plena segunda-feira. São os famosos baladeiros. Como aponta o ex-síndico Aldo Fiala, geralmente são pessoas descontraídas e mais jovens, que gostam de ter uma vida social agitada. Se para o baladeiro a festinha no apê é apenas um momento de diversão, para os vizinhos pode ser uma tortura, se o barulho expandir para dentro das unidades alheias.

Solução

É preciso diferenciar. “Se a pessoa faz 40 anos e realiza um comes e bebes em sua residência, é um momento especial e devemos tolerar. Já aquele que todas as noites traz amigos e coloca música alta, se caracteriza como um excesso que deve ser coibido”, alerta Fiala. Na tarefa de conter o exagero dos barulhentos, a psicóloga Letícia Delpizzo defende que o diálogo é a melhor maneira de gerar a transformação de comportamento ao invés de gerar uma multa diretamente. Conversar: “Sabia que seu vizinho tem que acordar cedo no outro dia, tem crianças e esse barulho interfere na vida dele”, sugere Delpizzo.

Ela observa que ao negociar as regras é diferente do que agir severamente, pois o morador se sentirá respeitado e mais facilmente buscará considerar o resultado de suas atitudes para seus vizinhos. Porém, se não adiantar, para sócia e advogada da Plac Planejamento Assessoria de Condomínios Dirlei Magro, o síndico deve pedir aos vizinhos incomodados que registrem a reclamação em livro de ocorrências do condomínio para que seja aplicada a advertência ou multa.

O fofoqueiro

 

 

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O perfil de condômino que mais causa problemas no edifício é o fofoqueiro. Ele sempre está de olhos abertos para o que ocorre na vida alheia e repassa as informações, sem cunho verídico, aos funcionários, vizinhos e síndico. As ações deste tipo de morador geram discórdia entre os residentes e até entre os funcionários e administração do prédio e pode prejudicar danos a moral de uma pessoa injustamente. De acordo com o síndico do condomínio Itambé, César Alba, o fofoqueiro é aquele que fala “pelas costas e depois diz que nada fez”, conta.

Solução

Não há fofoqueiro, se não tiver quem o escute e o melhor a se fazer é não tomar partido. O gerente de condomínios, Marcelo Becker, explica que é importante procurar saber a verdade das informações, apenas se o problema for afetar o condomínio. Se for a respeito da vida individual de um morador, o síndico deve se abster e não passar as informações aos outros condôminos. Para acabar com o reinado do fofoqueiro, Alba já deixou morador em saia justa. “Tive que acabar contando a verdade para um morador em que um fuxiqueiros aumentou umas informações, então a própria pessoa que conversei foi tirar satisfação e acabou com a fofoca”, aponta. E preciso prestar a atenção nos trabalhadores. “Os funcionários são a ponte de comunicação entre os moradores e a administração e o filtro dessas informações é indispensável na vida do síndico”, recomenda.

O implicante

 

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Aquele que questiona a administração em tudo, nada está bom, toda a decisão foi pautada de forma errônea, este é o condômino implicante. É a pedra no caminho do síndico objetivo, que gosta de realizar o trabalho com eficácia. Quando um assunto parece estar deliberado na assembléia, logo surge o implicante com inúmeros questionamentos, muitos dos quais desnecessários e que parece surgir apenas da busca por contrariar a decisão de todos.

Solução

Para o gerente Marcelo Becker, é trazer o condômino para o lado da administração, com convites para fazer parte do conselho, das reuniões informais com a administração, solicitar que apresente soluções ou o seu ponto de vista sobre futuras decisões.
A medida também é sugerida pela psicóloga Letícia Delpizzo, que aponta o implicante como uma pessoa metódica, por isso é interessante chamá-lo para participar em funções de secretariado e tesouraria. Pode pedir para ajudar a fazer os balancetes. “É um tipo de tarefa que é importante ter uma pessoa deste perfil e que usará sua chatice para algo que vai ajudar a todos”, recomenda. Também pode pedir para que faça as atas das reuniões, “assim ele não terá como criticar desprovidamente algo que ele mesmo fez”, explica.
 

A família problema

A família problema é aquela que vive em pé de guerra e os respingos das desavenças causam transtornos para os outros moradores. É muito difícil se envolver em questões de marido e mulher, mas o síndico não pode se escapar de chamar a atenção do condômino quando seus entes começam a perturbar o sossego dos vizinhos com o barulho das discussões domésticas ou com comportamentos mais agressivo e descortês na área comum do edifício.

Solução

A conversa é a medida mais interessante. Aldo Fiala conta que nesses casos costuma chamar o morador para uma reunião em que pergunta se já residiu em prédio antes para explicar a importância de respeitar os limites com os vizinhos e “lembro-os de tomar conhecimento do que diz o Regimento Interno”, descreve o gestor condominial.

A psicóloga Letícia ensina um truque para iniciar um diálogo com a família sem ser de forma agressiva, ao invés de apontar que estão incomodando. “Percebo uma certa agitação no seu apartamento. Vocês precisam de alguma ajuda?”, sugere o questionamento. Segundo ela, oferecer colaboração fará com que a pessoa se sinta acolhida e estará “dando uma indireta mostrando que todos já sabem que eles estão com problemas”, acrescenta.

 

O louco por obra

 

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O louco por obra é aquela pessoa agitada que busca sempre modificar algo em casa. Essa mania chega a deixar os moradores preocupados com a possibilidade do proprietário mexer tanto que atinja a estrutura do prédio. Qualquer condômino tem o direito de fazer quantas reformar quiser em sua unidade, porém é preciso respeitar alguns critérios. O louco por obras nem sempre controla o impulso e é capaz de começar a martelar a parede em um sábado à tarde em que os moradores estão descansando.

Solução

De acordo com o advogado Alberto Calgaro, na convenção ou o regimento interno deve constar a limitação de horários e dias da semana, a necessidade ou não de comunicação prévia ao síndico e de apresentação de projetos de acordo com a NBR 16.280 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que trata da gestão de reformas em edificações. E principalmente deve ser alertado aos moradores que o artigo 1.336, do Código Civil, estabelece ser dever de todos não realizar obras que comprometam a segurança da edificação, como mexer nas colunas do prédio. 
Modificar fora pode ajudar a diminuir o interesse em alterar dentro do apartamento, por isso “pode-se convidar o louco por obra a participar de uma comissão de reforma ou decoração no prédio”, diz a psicóloga Letícia.

 

O dono de animal problema

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As normas jurídicas não permitem mais que o condomínio proíba os moradores de ter animais, desde que não interfira no bem estar do restante dos moradores do prédio. Mesmo assim, existem os donos de bichos que latem a qualquer hora ou que não transportam seu chamado amigo de estimação de forma correta, às vezes, trazendo riscos para os outros. O dono de animal problema, na verdade é o pivô das desavenças, já que é ele que não respeita as regras do edifício por não entender que existem pessoas que não gostam de bichos.

Solução

Fazer reuniões com os donos de animais para esclarecer sobre a importância de seguir normas para a presença dos bichos e expor que nem todos nos prédios são obrigados a conviver com cães e gatos dos outros. “É necessário disciplinar em regimento interno a forma de conviver com os animais no condomínio e distribuir circulares periódicas informando destas normas – não havendo respeito advertir/multar conforme determina regimento interno/convenção”, diz advogada.

O ausente

O morador ausente é aquele que, como diz o ditado popular, paga para não se incomodar. Segundo o proprietário da Omega, empresa de contabilidade condominial em Balneário Camboriú, Vitor Antônio Pinto, o ausente é aquele que não participa de nada ou até freqüenta as assembléias, mas não opina, para ele tudo está bem. “Não critica nada. Só assina e vai embora”, mostra. Porém, se muitas pessoas no condomínio têm esse perfil, o síndico fica sobrecarregado de tarefas, que devem ter a colaboração de todos. Outro problema dos que nem aparecem nas reuniões é a falta de quorum para deliberar medidas importantes.

Solução

De acordo com Antônio Pinto, o ausente geralmente não aceita convites para algo que gere responsabilidades. Mas, a única forma de fazê-lo ser mais participativo é incentiva-lo a participar do corpo diretivo do condomínio. “Ele precisa saber que todas as pessoas tem suas obrigações”, lembra.

O anti-social

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O condômino mais difícil de lidar é o anti-social. Ele não respeita as normas do condomínio, não respeita os vizinhos, funcionários e síndico. Segundo a advogada Dirlei Magro, é aquele popular “encrenqueiro” que prejudica os demais com barulho, maledicências, brigas com vizinhos ou outro tipo de prejuízo que torne insuportável a convivência entre vizinhos. Para o gerente Marcelo Becker, geralmente este perfil de morador está associado a problemas de auto-estima, de próprio convívio em sociedade.

Solução

Neste caso as opiniões sobre a forma de desvencilhar são diversas. Becker defende que o síndico deve resolver os problemas de forma harmoniosa, com muito diálogo. “Uma advertência ou uma multa de imediato não resolverão o problema. Paciência é a palavra chave nesta questão”, pondera. Se não houver dialogo, a advogada Dirlei Magro aponta a saída legal. “Convocar assembléia com pauta específica, onde poderá ser votada a aplicação de multa de até o décuplo do valor atribuído a contribuição para as despesas condominiais”, explica.

(Matéria originalmente publicada em 16/06/2010)

 

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