Dia Internacional da Mulher

Dia Internacional da Mulher

São guerreiras! E lutam diariamente para mostrar o quanto a mulher faz a diferença e está apta a executar todo o tipo de atividade. Neste mês, quando se comemora o Dia da Mulher, o Jornal dos Condomínios foi ouvir um pouco de suas histórias, como profissionais que escolheram atuar em áreas vinculadas à administração de condomínios.

Em Santa Catarina, as mulheres ocupam cerca de 45% dos postos de trabalho com vínculo formal. O percentual sobe para 51% no caso de serviços e comércio, conforme estudo de 2016 publicado pela Secretaria de Estado da Assistência Social, Trabalho e Habitação (SST).

Neste e em outros estudos, se comprova a inserção crescente das mulheres no mercado de trabalho formal e informal. Há pouco mais de 20 anos, por exemplo, a participação era de 17%, conforme o IBGE.

Mas ainda há um longo caminho a percorrer. E isso abrange remuneração e conquistas de postos de chefia nas organizações. O estoque total de empregos formais existentes em Santa Catarina, conforme o estudo da SST, aponta que as mulheres recebem o equivalente a 80% do rendimento médio mensal dos homens. No último quadrimestre de 2017, o salário médio dos homens era de R$ 2.607,00 contra R$ 1.881,00 das mulheres (IBGE).

Confira um pouco dessa realidade de ser mulher, profissional, mãe, cuidadora e, normalmente, responsável pela maior parte dos afazeres domésticos nos relatos a seguir. Histórias que retratam empreendedorismo e muita paixão por conhecer e viver!

Fátima do Rocio Gabardo, empresária
Em 1994, quando surgiu a oportunidade de abrir uma empresa em Florianópolis, a paranaense Fátima do Rocio Gabardo não hesitou em deixar o seu emprego em um grupo jurídico de Curitiba.

Nascia ali a Duplique Santa Catarina, empresa pioneira na Garantia de Receita para Condomínios, e que hoje conta com aproximadamente 60 colaboradores divididos em oito escritórios instalados em diversas regiões do Estado. “No início, os desafios eram muitos, mas foram eles que me incentivaram e me motivaram a superar as dificuldades e a buscar cada vez mais excelência na prestação dos serviços”, conta a administradora Fátima.

FatimaDuplique
Fátima do Rocio Gabardo (segunda a esquerda com sua equipe 80% dela formada por mulheres)

Mãe de dois filhos – um de 18 anos e outro de 11 anos com síndrome de Down –, ela diz que consegue conciliar o trabalho com a atenção à família porque conta com uma equipe experiente e altamente comprometida – 80% dela formada por mulheres. “Geralmente a mulher é mais detalhista e perfeccionista que o homem, e isso contribui para garantir a qualidade nos serviços”. Sua jornada de trabalho é dividida entre visitas às unidades da Duplique e reuniões para tomadas de decisões em assuntos específicos.

Com a experiência acumulada à frente da Duplique, Fátima não tem dúvida: o número de mulheres que estão assumindo a função de síndicas está aumentando consideravelmente. “Eu diria que hoje o percentual já chega a 40%, bem superior ao que víamos antigamente”, informa. “Percebo muitas mulheres formadas em Contabilidade, Administração ou Direito, por exemplo, que devido à gestação, ou a outros fatores, se afastam temporariamente da profissão e, por estarem mais em casa, acabam se envolvendo com o condomínio e se elegendo síndicas. São pessoas com formação superior e capacitadas para exercer a função, e isso traz um grande benefício ao condomínio e ao segmento como um todo.”

Outra mudança verificada por Fátima refere-se às síndicas profissionais. “Vejo um movimento crescente de mulheres com formação específica no segmento que estudaram e se qualificaram e, hoje, se destacam no exercício da função, administrando diversos condomínios, de forma dedicada e exemplar”.

Na sua avaliação, isso demonstra a capacidade e o potencial que as mulheres têm para atuar no segmento. “A mulher está mais determinada e mais confiante para ocupar o seu espaço no mercado, principalmente em cargos de liderança. Atualmente, vemos muitos grupos de síndicos profissionais que são criados e organizados por elas, com o objetivo de possibilitar a troca de experiência e organizar eventos de capacitação. Esta é mais uma amostra do potencial e da determinação das mulheres em nossa área.”

Helenita Ventura Ribeiro, porteira
Nos seis anos em que trabalha no Residencial Ilha do Sol, em Florianópolis, um fato marcou Helenita. Logo que assumiu como porteira do condomínio de sete blocos e 98 unidades, havia alguns rapazes que tinham um comportamento antissocial. “Um deles sempre passava por mim e nem me olhava. Eu dava um sorriso e dizia bom dia! Ele não respondia. Isso acontecia diariamente. No segundo mês, ele começou a levantar os olhos para mim, apesar de não me cumprimentar. No terceiro mês, fazia um pequeno aceno com a cabeça”, lembra-se. A surpresa chegou na época do Natal, quando esse rapaz lhe entregou um presente. “Ele estava com um sorriso de orelha a orelha. Foi lindo!”.

Helenita                                        Helenita Ventura Ribeiro

Helenita guarda esse momento com muito carinho. “Basta tratar bem as pessoas”, garante a gaúcha de Santa Maria que já fez um pouco de tudo na vida. Foi faxineira, babá e lavadora de pratos, copeira e chegou à gerência de uma unidade de uma rede de restaurantes até decidir fazer um curso para formação de vigilantes. O primeiro emprego foi no Edifício San Felipe e, após, no Ilha do Sol. “Eu me identifiquei com esta atividade, pois trabalhamos com pessoas, somos meio psicólogas e, em muitas vezes, um pouco mães – algo que tem tudo a ver com a mulher”, diz.

Helenita afirma que consegue separar muito bem o profissional do pessoal. “Os meus problemas ficam em casa. Estou aqui para atender o morador, buscando orientá-lo e ajudá-lo da melhor forma possível, sempre com um sorriso.”

Soeli Weiss, síndica
Gaúcha, mas morando em Brusque há 35 anos, Soeli Weiss utiliza no seu dia a dia de síndica do Residencial Santa Maria a experiência acumulada como professora, quando lecionava português e convivia com alunos da quinta à oitava série de várias personalidades e interesses distintos. “Tento resolver os problemas que surgem conversando com as pessoas, mostrando a elas aquilo que foi decidido em assembleias e que está registrado em ata”, afirma. “Lidar com o ser humano é algo complexo. É preciso cuidado: acarinhar muito mais do que agredir.”

Soeli
                                              Soeli Weiss

Aposentada há 10 anos, eladiz que ser síndica nunca foi algo muito almejado. “Como ninguém queria assumir, eu resolvi concorrer e acabei sendo eleita. No início foi meio desesperador, pois havia muitos conflitos e a inadimplência, um problema dos mais sérios.”

Apesar de ter sido empossada há pouco tempo, Soeli acredita que ser mulher foi um fator importante para melhorar o ambiente de convivência. “Temos mais sensibilidade para perceber os problemas”, resume. “Tenho sonhos e aos poucos vou conquistando meu espaço com paciência, simpatia e um amor muito grande pelo o que estou fazendo.”

Ao todo são 36 unidades. Quando não está envolvida na gestão do condomínio, Soeli desenvolve trabalho voluntário, dando aulas de reforço em Português para alunos que tem déficit de atenção, dislexia ou dificuldade de aprendizado.

“Sou bem resolvida na vida familiar, o que faz com que eu consiga conciliar as três tarefas sem estresse. Há muito mais mulheres buscando conquistar seu espaço, embora ainda exista muito preconceito e discriminação. Mas é preciso paciência e sabedoria para alcançarmos nossos objetivos”.

Elisete Pacheco, síndica profissional
Em 2014, o condomínio que abrigava a loja comercial em que Elisete Pacheco trabalhava e morava estava passando por uma séria crise. Eram ao todo 442 unidades residenciais e cinco comerciais e a situação parecia impossível de ser gerenciada. “Os moradores sempre me convidavam para assumir a função de síndica, mas não imaginava essa possibilidade. Até que decidi aceitar o desafio”, lembra ela. Esse foi o primeiro passo para se tornar uma síndica profissional: “Acabou ficando inviável continuar o meu trabalho de consultora de vendas, pois o condomínio estava no ‘leito de morte’ e exigia muita dedicação e tempo”.

Hoje, Elisete está à frente deste e de outro empreendimento residencial. “Sempre gostei da parte de gestão de pessoas. No início o mais difícil foi dominar a área financeira, mas com o tempo fui me familiarizando com a contabilidade, fazendo cursos, me informando, e hoje analiso um balancete sorrindo”.

Elisete
Elisete Pacheco

Na sua avaliação, um condomínio tem muita sorte em ter uma síndica na gestão: “Nós mulheres pensamos muito mais rápido e somos multitarefas, conseguimos fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Isto, levado para o dia a dia de um condomínio, faz muita diferença”, afirma. “As síndicas profissionais que eu conheço têm pulso firme e buscam sempre se capacitar”.

Morando sozinha e com uma filha já adulta, ela não tem problema em conciliar trabalho e vida pessoal. “Sempre fico com o celular ligado, monitorando os assuntos que aparecem para resolver. A minha rotina é e sempre foi voltada ao trabalho, então a gente se organiza conforme as exigências da profissão.”

Patrícia de Fátima Zeferino, zeladora
Trabalhando como zeladora há 11 anos, Patrícia considera os moradores do Edifício Matrinchã, em Balneário Camboriú, como parte de sua família. “Aqui me sinto acolhida”, diz. No residencial, ela faz de tudo um pouco, pois é a única funcionária: atende na portaria e tenta solucionar eventuais problemas verificados nas 16 unidades do edifício. “Gosto do meu trabalho e de todos os moradores.”

Na sua avaliação, a mulher precisa trabalhar para poder ajudar nas despesas da casa, tornando-se uma parceira de seu marido, no mesmo nível de igualdade. Patrícia trabalhou por oito anos em uma fábrica, em Itajaí. Saía de casa em Camboriú e, de bicicleta, ia até o terminal rodoviário, onde pegava um ônibus para Itajaí e outro para a empresa.

Patricia Zeladora
Patrícia de Fátima Zeferino

Os projetos dela, hoje, miram horizontes mais amplos. Com formação técnica em Contabilidade, sem nunca ter exercido a profissão, Patrícia está no 4º semestre do curso superior de Ciências Contábeis, oferecido na modalidade a distância - há encontros presenciais uma vez por semana. “Sempre temos que evoluir”, diz Patrícia, que dá os parabéns “às mulheres guerreiras que enfrentam as batalhas da vida e continuam trabalhando com amor”.

Rosemari Gerhardt, síndica profissional
Na época em que cursava a gradução em Direito, Rosemari Souza da Silva Gerhardt teve a oportunidade de entrar em contato com a área condominial e percebeu imediatamente o quanto esta estava em ascensão. “Comecei como síndica, inicialmente no condomínio onde morava e fui expandindo a minha atividade por meio de recomendações de colegas, amigos e dos próprios condôminos”. Passados 12 anos, ela hoje comanda a RG Serviços Administrativos, que presta serviços para vários condomínios.

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Rosemari Gerhardt

Devido ao número de empreendimentos que administra e gerencia, ela conta que sua rotina se divide entre o escritório, para tratar das questões administrativas, e as visitas diárias aos condomínios para supervisões, orientações, soluções de problemas operacionais e conciliações interpessoais, sempre acompanhada pelo celular e as ferramentas de comunicação instantânea que ele permite.

Conforme Rosemari, na gestão de condomínios, o maior desafio que encontra no momento é a contratação de empresas e profissionais qualificados e comprometidos em determinadas áreas de atuação. “A base da gestão de condomínios é o compromisso, a responsabilidade e o diálogo que se estabelecem entre os condôminos, prestadores de serviços e funcionários. E nessa questão as mulheres tendem a se destacar, tendo um olhar mais crítico e detalhista”, analisa. “A tendência é que essas síndicas mulheres tenham um perfil gerencial que envolve conhecimentos gerais de cunho administrativo, sociais, trabalhistas, jurídicos e interpessoais.”

Em relação à vida pessoal, ela diz que, por se tratar de uma atividade que exige tempo integral e constante de acompanhamento, por vezes sobrepõem-se os interesses profissionais perante os familiares. “Por isto, a família tem papel fundamental de compreensão e entendimento acerca das responsabilidades e compromissos da profissão.”

Valéria Terezinha Dutra, vigilante

Há 15 anos Valéria decidiu ser vigilante. Sua filha recém tinha nascido, quando ela conseguiu uma oportunidade para realizar o curso voltado para essa área. Foram 10 longos dia, lembra-se, pois o curso era ministrado em Blumenau e seu bebê, então com sete meses, teve que ficar em Florianópolis.

Valeria Vigilante
Valéria Terezinha Dutra

Na volta, ela conseguiu emprego em uma empresa de segurança, onde trabalha há nove anos. Dois deles em um condomínio no bairro Pedra Branca, em Palhoça, com três torres e 166 unidades. “Sempre gostei de lidar com o público. Não sei me ver sozinha”, conta Valéria, que tem uma simpatia contagiante. “Aos poucos, a gente vai conquistando o respeito e acaba sendo considerada como um integrante da família.”

Com três filhas, de 23, 17 e 16 anos, ela quer fazer faculdade de Administração. Quando o assunto é discriminação entre gêneros, ela não esconde uma mágoa: apenas homens são escalados para fazer a vigilância ou ocupar a portaria no período noturno. “Somos tão capazes quanto eles, seja na vigilância em condomínios ou no transporte de valores. Mas isso ainda não é reconhecido, pois a sociedade continua muito machista.” O sistema de trabalho dela é de 12×36 horas, que compartilha com outra vigilante. À noite, todos os vigilantes são homens.

 

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