A vez delas: mulheres ganham espaço nos condomínios

A vez delas: mulheres ganham espaço nos condomínios


O universo dos condomínios não para de crescer e, com ele, a diversidade, em que mulheres passam a ocupar funções de porteiras, zeladoras e vigilantes.

Aos 57 anos, Ângela Maria Monteiro já trabalhou em várias atividades. Foi copeira, faxineira, trabalhou em supermercado, entre muitas outras funções, até que, há nove anos, recebeu um convite que deu estabilidade e satisfação a sua vida profissional: ser porteira de um condomínio comercial. Assim como ela, inúmeras mulheres têm ocupado trabalhos no universo dos condomínios que, até então, eram exercidos por homens em sua maioria.

“Uma função que vem se destacando entre as mulheres é nas portarias e vigilâncias, além das zeladorias. Vejo com bons olhos essa participação, afinal de contas, as mulheres representam 51% da população brasileira, e nada mais justo que elas ocupem diversos cargos que são majoritariamente masculinos”, avalia a coach Patrícia Santos, que faz treinamentos direcionados a essas áreas de atuação nos condomínios.

No edifício em que Ângela trabalha, o Royal Tower, no Centro de Florianópolis, o cargo de síndico é ocupado também por uma mulher, Vera Maria Grandi. “O condomínio é comercial e isso exige muito da portaria e da recepção, porque é o cartão de visita de todos os clientes”, elogia Vera, que tem na equipe várias mulheres. Partindo da região central, onde a porteira trabalha, basta percorrer alguns quilômetros para encontrar Silvania Fernandes de Carvalho Meireles, que exerce o cargo de vigilante no Residencial San Fernando, no Estreito.

De família de militares, Silvania é formada no curso de Vigilância Patrimonial. Aos 38 anos, ela atua na área há um ano e meio. “Meu esposo também é vigilante e decidi fazer o curso porque o salário me atraiu, antes eu era operadora de caixa. O trabalho me encantou, pois adoro lidar com pessoas. Faço o que gosto e sou bem feliz com isso”, relata Silvania, que também costuma ficar na portaria quando necessário.

Embora as oportunidades tenham se expandindo para as mulheres, o preconceito ainda prevalece. Segundo a vigilante, muitas colegas abandonam a profissão pela falta de oportunidades, já que grande parte dos condomínios continua optando por contratar homens para a função. “Muitos clientes não confiam tanto, é um tabu que precisa ser quebrado”, lamenta ela.

mulheres condomínio
Silvania de Carvalho Meireles fez curso de vigilância patrimonial e trabalha na área há um ano e meio.

Quebrando tabus

Ângela e Silvania têm a fala tranquila e educada, porém firme. E é com esse jogo de cintura que elas enfrentam as situações adversas de suas rotinas. Isso porque, após conquistarem o cargo, surge um novo obstáculo: impor respeito como as profissionais qualificadas que são. “O respeito é uma pedra no caminho. Pela questão do preconceito, as pessoas olham e acham que não somos tão capacitadas ou qualificadas para a função”, acrescenta Silvania.

Embates com prestadores de serviços no condomínio são os principais problemas para a vigilante. “Um ou outro sempre quer passar direto, mas eu logo falo as regras. Eles chegam a duvidar por se tratar de uma mulher, acham que vamos baixar a guarda, mas temos de nos impor”, diz Silvania.

A principal preocupação da porteira Ângela também é a segurança. Consciente da responsabilidade de cuidar da porta de entrada do condomínio, ela conta que o primeiro passo ao assumir o cargo foi memorizar todas as pessoas e horários de cada um que trabalha no edifício comercial de 12 andares. “Costumo dizer que nós, porteiros, somos computadores ambulantes. No começo me dava até frio na barriga, porque a responsabilidade de alguém estranho entrar é grande”, diz Ângela.

No caso dela, os contratempos são com pessoas que querem entrar no condomínio de capacete, ou com veículos desconhecidos que chegam à garagem. “Quando alguém retruca, na hora você se sente impotente, mas com muito jogo de cintura vamos mostrando que estamos apenas fazendo nosso trabalho”, relata a porteira.

Como a segurança é tratada como prioridade, ela e os vigilantes da vizinhança passaram a se comunicar por sinais e por telefone ao avistarem alguém suspeito rondando a área. “Um cuida do outro. Até os condôminos, quando chegam com um carro diferente e eu peço para abrirem a janela, respeitam e dizem que sou a segurança”, diverte-se. “Eu agarrei a oportunidade e estou aqui. É o que eu falo sempre: o negócio é absorver as coisas boas da vida, entre elas as que a profissão nos traz”.

 

 

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